domingo, janeiro 06, 2013

JUDEUS E ÁRABES UNIDOS por Dom Fernando Arêas Rifan


Domingo, 6 de janeiro, celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor, dia de Reis. “Epifania” é uma palavra grega que significa “manifestação”.

Foi o dia da manifestação de Jesus como Salvador de todos os povos, na pessoa dos Reis do Oriente, os Magos ou Sábios, que vieram visitar o Menino Jesus em Belém.

Deus usa de vários meios para chamar a si as pessoas, meios adaptados à personalidade e às condições de cada um. Aos pastores, judeus, já familiarizados com as revelações divinas do Antigo Testamento, Deus chamou através dos anjos, mensageiros da boa nova do nascimento de Jesus.

Os Magos, porém, eram pagãos, da Arábia. Mas como eram astrônomos e astrólogos, Deus os chamou através de uma estrela misteriosa. Jesus não discrimina ninguém: no seu presépio vemos pobres e ricos, judeus e árabes. Todos são bem-vindos ao berço do “príncipe da paz”. Já se vislumbra assim que Jesus é e será a fórmula da paz para o Oriente Médio (!).

Era conhecida até entre os pagãos a profecia de que uma estrela misteriosa anunciaria a chegada do Salvador, esperado por todos os povos, que inauguraria uma nova era para toda a humanidade.

Sábios observadores dos céus, os Magos constataram o aparecimento dessa estrela misteriosa. Ao mesmo tempo tocados pela graça divina, sentiram o chamamento de Deus para irem visitar o Salvador que a estrela anunciava.

E partiram. Foram fiéis àquela graça de Deus. Essa resolução custaria sacrifícios, inerentes a uma longa viagem pelo deserto. Talvez a dúvida, a crítica de seus compatriotas, o medo da desilusão. Mas nada disso os deteve.

Destes Santos Reis, nós aprendemos a lição de coragem e decisão: “Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2). “Vimos e viemos”, eis o que devemos fazer quando sentimos o chamado da graça de Deus em nosso coração. Coragem e decisão para superar as dificuldades inerentes a qualquer resolução de fazer o bem, a qualquer vocação.

Eles são também exemplo de Fé: seu comovente ato de Fé naquele Rei, de aparência tão pobre, que eles adoraram - “...viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no’(Mt 2, 11). Eles que só conheciam seu anúncio pela estrela. Não tinham ainda visto, como nós já conhecemos, seus ensinamentos e seus milagres! E o viram com Maria, sua mãe. Ela foi a primeira catequista dos Magos, a primeira que lhes deu a conhecer quem era Jesus. É por ela que vamos a Jesus.

Misticamente exemplar também para nós foi a sua decisão de mudar de caminho e de vida, -“Regressaram ao seu país por outro caminho’ (Mt 2, 12). E no Oriente foram os primeiros propagadores da Boa Nova, do Evangelho, que tinham conhecido nos seus primórdios. Esta mudança de caminho pode simbolizar a conversão daqueles que encontraram Jesus e foram chamados a tornar-se os verdadeiros adoradores que Ele deseja (cf. Jo 4, 23-24).

Quando se encontra Cristo e se acolhe o seu Evangelho, a vida muda e somos estimulados a comunicar aos outros a própria experiência.

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney