domingo, junho 30, 2013

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO E OS 97 ANOS DA 1ª MISSA CELEBRADA NA MATRIZ SÃO CONRADO


"da fonte, que é o altar,  da primeira celebração eucarística aqui celebrada a 97 anos, brotou a graça que se espalha por toda a região, o bairro de São Conrado, nasceu do altar de Jesus Cristo."
A Liturgia de hoje nos convida a contemplar os exemplos dos Santos Pedro e Paulo, os quais, por caminhos diferentes, realizaram a missão evangelizadora. 

Celebramos também o dia do Papa, rezando pelo Papa Francisco, Sucessor de Pedro e solidariamente partilhando de nossos bens em favor da Evangelização.
Homilia de Padre Marcos B Ferreira
"Às vezes é perigoso sentir-se cristão “por toda a vida”, porque corremos o risco de não revisar nunca nossa fé e não entender que, definitivamente, a vida cristã não é senão um contínuo processo de passar da incredulidade para a fé no Deus vivo de Jesus Cristo.
Muitas vezes acreditamos ter uma fé inabalável em Jesus, porque o temos perfeitamente definido com fórmulas precisas, e não nos damos conta de que, na vida diária, o estamos desfigurando continuamente com nosso interesses e covardias.
Confessamo-lo abertamente como Deus e Senhor nosso, mas às vezes Ele não significa quase nada nas atitudes que inspiram nossa vida. 
Por isso, é bom ouvir sinceramente sua pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Na realidade, quem é Jesus para nós? Que lugar ocupa Ele em nossa vida diária?
Quando, em momentos de verdadeira graça, alguém se aproxima sinceramente de Jesus do Evangelho, encontra-se com alguém vivo e palpitante. Alguém que não é possível esquecer.
Alguém que continua atraindo-nos apesar de nossas covardias e mediocridade.

Jesus, “o Messias de Deus”, nos coloca diante de nossa última verdade e se transforma, para cada um de nós, em convite prazeroso à mudança, à conversão constante, à busca humilde, mas apaixonada, de um mundo melhor para todos.
 Paulo Eugênio de Niemeyer, Nancy de Niemeyer e Padre Marcos Belizário Ferreira

Jesus é perigoso. Nele descobrimos uma entrega incondicional aos necessitados, entrega esta que põe a descoberto nosso radical egoísmo . Uma paixão pela justiça que sacode nossas seguranças, covardias e servidões. Uma fé no Pai que nos convida a sair de nossa incredulidade e desconfiança.

Jesus é a coisa maior que  nós cristãos temos, Ele infunde outro sentimento e abre outro horizonte à nossa vida. Ele nos transmite outra lucidez e outra generosidade. Ele nos comunica outro amor e outra liberdade. 

ELE É NOSSA ESPERANÇA"

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99 ANOS DA BENÇÃO DA PEDRA FUNDAMENTAL DA MATRIZ DE SÃO CONRADO


Na época do Tombamento o objetivo era a preservação da edificação pela relevância histórica e urbanística para a cidade do Rio de Janeiro. A Igreja foi a primeira construção do bairro, erguida entre 1904 e 1916 pelo engenheiro Conrado Jacob de Niemeyer.
"Patrimônio do acervo cultural desta cidade, Jóia de Arquitetura, estilo e construção proporcionados e perfeitamente integrados ao entorno local, admirada por todos que por lá transitam". (Jornal do Brasil - 29/05/2005)

A paróquia de estilo eclético tardio, com traços neoclássicos foi o ponto de partida para a urbanização da região. O comendador Conrado construiu a capela nas imediações de sua fazenda para que a esposa pudesse rezar perto de casa.
Para compor o altar, Jacob Niemeyer trouxe da Alemanha uma imagem barroca do século XVIII, talhada em madeira, de São Conrado, na Suíça, conhecido por fazer milagres a favor dos pobres, São Conrado foi um nobre da Idade Média que, cheio de virtudes, entregou todos os seus bens para construir escolas e hospitais.
Em pouco tempo a Igreja se tornou ponto de encontro de moradores do bairro. A praia, que se chamava Pedra da Gávea, começou a ser chamada de São Conrado e na década de 40 a Igreja foi doada a Arquidiocese do Rio de Janeiro.

O Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, transferido de Belém para o Rio em 1943, transformou a igrejinha numa paróquia.
Celebração Eucarística no aniversário dos 99 anos
da Pedra Fundamental da Matriz de São Conrado

Além de ter acompanhado o crescimento do bairro, a igreja, por ficar em ponto elevado e praticamente à beira-mar aparecia nas cartas de navegação do início do século co mo uma referência para quem se dirigia ao Porto do Rio. Hoje, ela resiste com um marco da história do bairro em meio ao movimento da Auto-Estrada Lagoa – Barra

Além de receber os moradores dos condomínios do bairro, a paróquia reúne fiéis vindo da Vila Canoas, comunidade entre o Gávea Golf Club e a Estrada das Canoas.

Com missas celebradas na própria igreja, a paróquia oferece diversos serviços sociais,  também realiza missas no condomínio Village de São Conrado.


Da construção original ainda restam a Pia Batismal, toda em mármore italiano, o sino, alguns vidros belgas e o relógio francês.

sexta-feira, junho 28, 2013

ÓBOLO DE SÃO PEDRO por Dom Orani João Tempesta


Todos os anos, por ocasião da Solenidade de São Pedro e de São Paulo, a Igreja Católica em todo o mundo comemora o Dia do Papa e, como um presente ao Sumo Pontífice, se une ao Santo Padre na tradicional coleta do óbolo de São Pedro. Neste ano as coletas serão realizadas nos dias 29 e 30 de junho, pois a solenidade dessas “colunas da Igreja” é transferida, no Brasil, para o final de semana. Ainda mais para nós que receberemos o Santo Padre no próximo mês, viver e celebrar o dia do Papa se reveste de uma alegria muito especial.

O “Óbolo de São Pedro” é a expressão mais emblemática da participação de todos os fiéis nas iniciativas de caridade do Bispo de Roma a bem da Igreja Católica. “Trata-se de um gesto que se reveste de valor não apenas prático, mas também profundamente simbólico enquanto sinal de comunhão com o Papa e de atenção às necessidades dos irmãos; por isso, o vosso serviço possui um valor retintamente eclesial" (Discurso aos Sócios do Círculo de São Pedro, 25 de Fevereiro de 2006).

A Igreja Católica nunca poderá ser dispensada da prática da caridade enquanto atividade organizada dos crentes, como, aliás, nunca haverá uma situação onde não seja necessária a caridade de cada um dos indivíduos cristãos, porque o homem, além da justiça, tem e terá sempre necessidade de amor.  Trata-se de uma ajuda que é sempre animada pelo amor que vem de Deus. O programa do cristão – o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus – “é um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e atua em consequência.

O Beato João Paulo II, tão querido dos brasileiros e que amava muito a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, alertou, com propriedade, que a função de manutenção do trabalho do Papa é de todos os fiéis que, de maneira livre e generosa, ajudam na manutenção da obra evangelizadora: "A base primeira para a manutenção da Sé Apostólica deve ser constituída pelas ofertas dadas espontaneamente pelos católicos de todo o mundo, e eventualmente também por outras pessoas de boa vontade. Isto corresponde à tradição que tem origem no Evangelho (Lc 10,7) e nos ensinamentos dos Apóstolos (1 Cor 11,14)". (Carta de João Paulo II ao Cardeal Secretário de Estado, 20 de Novembro de 1982).

A primeira forma de contribuir é participar das celebrações em honra dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, dedicando suas orações pelo Santo Padre Francisco, por suas necessidades e por toda a Igreja de Cristo, sobretudo os mais necessitados da especial atenção, cuidados e auxílio fraterno do Sumo Pontífice, como disse o próprio Papa: "aqueles que vivem na periferia" e precisam da solicitude pastoral do Sumo Pontífice. Isso renova espiritualmente o vínculo de fé, de esperança e de amor que nos une em Cristo.

A segunda forma de contribuir é mais efetiva e nos compromete diretamente através da oferta material que se faz no ofertório da Santa Missa em todas as celebrações realizadas na Solenidade dos Santos Apóstolos. Nesse sentido, exorto o povo de Deus a colaborar generosamente com o "Óbolo de São Pedro", demonstrando assim nossa afetiva unidade com o serviço do Pastor Universal da Igreja de Cristo.

A terceira forma de contribuir é ajudar a divulgar o Óbolo de São Pedro, esclarecendo e orientando os que ainda não conhecem esta iniciativa e motivando os que já conhecem, mas não colaboram de modo efetivo. É dar ao Papa a possibilidade de ajudar as pessoas e situações de necessidade espalhadas pelo mundo.

O Papa João Paulo II lembrou que: “Conheceis as crescentes necessidades do apostolado, as carências das comunidades eclesiais especialmente em terras de missão, os pedidos de ajuda que chegam de populações, indivíduos e famílias que vivem em precárias condições. Muitos esperam da Sé Apostólica uma ajuda que, muitas vezes, não conseguem encontrar noutro lugar” (João Paulo II ao Círculo de São Pedro, 28 de Fevereiro de 2003).
O Papa Emérito Padre Bento XVI reafirmou que “a Igreja nunca poderá ser dispensada da prática da caridade enquanto atividade organizada dos fiéis.
Por isso, é muito importante que a atividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum” (Deus Caritas Est). As ofertas dos fiéis para o Santo Padre destinam-se, pois, a obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, além da manutenção e sustento das atividades da Santa Sé Apostólica, da qual todos os batizados são corresponsáveis.

Sejamos, pois, generosos na Solenidade de São Pedro e São Paulo não só dando a nossa generosa oferta para as atividades do Santo Padre, mas fazendo um redobrado esforço para que os que não conhecem estas necessidades da Igreja colaborem com o Óbolo de São Pedro. Que os Apóstolos Pedro e Paulo recompensem todos os que, conscientemente, ajudam a missão do Sucessor do Apóstolo Pedro, Amém!






webtv. redentor. com
arqrio.com
cnbb.org





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quinta-feira, junho 27, 2013

NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO


Celebramos Nossa Senhora do Perpétuo Socorro aos 27 de junho de cada ano. Para que possamos entender um pouquinho da estória desta devoção, precisamos nos transportar para o século XV, porque foi nessa época que surge a devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, pois a devoção nasceu de um ícone milagroso, roubado de uma igreja, na Ilha de Creta. 

Trata-se de uma pintura sobre madeira, de estilo bizantino, através do qual o artista, sabendo que a verdadeira feição e a santidade de Maria e de Jesus jamais poderão ser retratadas só com mãos humanas, expressa a sua beleza e a sua mensagem em símbolos.

A representação da Virgem Maria no referido quadro foi a meio corpo. Ela está segurando Jesus Menino nos seus braços. Prestemos à atenção que o Menino Jesus está segurando com firmeza a mão da Mãe e olha assuntado para cima e ao seu lado. 

Ao seu lado estão dois anjos, diz a estória que é São Miguel e Gabriel, arcanjos da Milícia celeste. Os dois anjos seguram os elementos de sua Paixão, isto é, um Arcanjo segura a cruz e o outro a lança e a cana com um esponja na ponta ensopada de vinagre (cf. Jo 19,29).

Andréas Ritzos, pintor grego do século XV, realizou as mais belas pinturas neste tema. Por esta razão, muitos lhe atribuem este tipo iconográfico. Na verdade a tipologia é bizantina, e quase acadêmica a execução do rígido planejamento das vestes, mas é certamente novo o movimento oposto e assustado do menino, de cujo pé lhe cai a sandália, e ainda a comovente ternura do rosto da mãe.

 Alguns peritos afirmam que a pintura foi feita por Andréas Ritzos de uma das cópias do quadro da Virgem pintado por São Lucas.

Conta-se que no século XV, um comerciante rico se apropriou do ícone para vendê-lo em Roma. Durante a travessia do Mediterrâneo, uma tempestade quase fez o navio naufragar. No entanto, uma vez em terra firme, foi para a Roma tentar negociar o quadro. Porém ficou frustrado porque não conseguiu vender o quadro e acabou adoecendo. Encontrando um amigo, pediu ajuda para vender o quadro, mas logo faleceu. Contudo, antes de falecer contou para o amigo sobre o ícone e lhe pediu para levá-lo à uma igreja, para ser venerado outra vez pelos fiéis. 

A esposa do amigo não quis se desfazer da imagem. Mas o tempo passou e ela ficou viúva, a Virgem Maria apareceu à sua filha e lhe disse para colocar o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro numa igreja, entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão. Segundo a menina, o título foi citado pela Virgem sem nenhuma recomendação.

Assim sendo, o Ícone foi entronizado na Igreja de São Mateus, no dia 27 de março de 1499, onde permaneceu nos três séculos seguintes. O testemunho de muitos devotos e a devoção à Virgem do Perpétuo Socorro se propagou entre os fiéis. 

Aconteceu que no ano de 1739, os responsáveis dessa igreja e do convento anexo eram os agostinianos irlandeses exilados do seu país, convento no qual funcionava o centro de formação da sua Província, em Roma. Assim, naquele lugar todos se encontravam paz sob a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Passaram-se três décadas, e os agostinianos irlandeses foram designados para a igreja de Santa Maria em Posterula, também em Roma, e para lá também seguiu o quadro o ícone de da Virgem do Perpétuo Socorro, porém na Igreja de Santa Maria já se venerava Nossa Senhora da Graça. Assim o ícone foi colocado na capela interna e acabou ficou sendo esquecido. Mas isso não ocorreu, por causa de um agostiniano remanescente do antigo convento.

Depois de algum tempo, o agostiniano já idoso quis cuidar para a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não ser esquecida e contou a história do ícone milagroso à um jovem coroinha. 

Passaram-se dois anos depois da morte do agostiniano, no ano de 1855 os padres redentoristas compraram uma propriedade em Roma, para estabelecer a Casa Generalícia da Congregação fundada por Santo Afonso de Ligório. No entanto, os redentoristas não sabia que o terreno era da antiga igreja de São Mateus, onde a Virgem do Perpétuo Socorro pediu para ser o seu santuário.

Contudo, no final desse ano ingressou com a primeira turma do noviciado aquele jovem coroinha, isto mesmo, o qual o agostiniano havia contado a estória sobre o ícone. No ano de 1863, o coroinha já havia sido ordenado padre, ajudou os redentoristas a localizarem o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Depois de muita procura, acharam o Ícone e a descoberta oficial dessa devoção nos livros antigos da Igreja de São Mateus. O quadro da Virgem do Perpétuo Socorro foi entregue aos redentoristas pelo próprio papa da época, isto é, Sua Santidade, Papa Pio IX, que fez a seguinte recomendação: “Façam-na conhecida no mundo inteiro”, assim o quadro foi entronizado no altar-mor do seu atual santuário no ano de 1866.

 Muitas outras cópias foram com os missionários redentoristas para a divulgação da devoção a partir das novas províncias instaladas por todo o mundo. Assim, Nossa Senhora foi declarada Padroeira dos Redentoristas. Que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro interceda por nós. Amém! 

catequisar.com








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A IDEOLOGIA DA CONSPIRAÇÃO por Dom Fernando Arêas Rifan

COMO BOM FILHO DE SANTO INÁCIO, O PAPA FRANCISCO, ALUDINDO A COMUNIDADES, ANALISA BEM COMO O DEMÔNIO, BOM ESTRATEGISTA, SABE NOS TENTAR E NOS ENGANAR COM APARÊNCIAS DE VERDADE OU MEIAS-VERDADES, O QUE PODE SE APLICAR AO COMPORTAMENTO HUMANO EM GERAL.

“A tentação do individualismo, que, crescendo, nos conduz a parcialidades... baseia-se sempre em uma verdade (que pode ser real ou parcial ou aparente, ou uma falácia). Costuma ser uma razão que justifica e tranquiliza ao mesmo tempo. E essa razão tem raiz no espírito de suspeita e desconfiança. Nem sempre o demônio tenta com uma mentira. Na base de uma tentação, pode existir uma verdade, mas vivida no mau espírito... 
‘Vim a pensar como Nosso Senhor não deve ter por bem reformar algumas coisas da Igreja segundo o modo dos hereges; porque eles, assim como também os demônios, em muitas coisas dizem a verdade, mas não a dizem com o Espírito de verdade, que é o Espírito Santo’ (Beato Fabro). Aqui se baseia, em grande parte, a estrutura da ideologia. Aparentemente, a ideologia parece ser fruto de uma verdade, de uma opinião; porém, na realidade, é fruto da vontade, do mau espírito. Por isso, uma ideologia deve ser julgada sempre não por seu conteúdo, mas pelo espírito que a sustenta, que não é necessariamente o Espírito da verdade”. 

             “As suposições são como aqueles que pretendem prever o futuro: são nada mais que tentação. Ali Deus não está, porque Ele é Senhor do tempo real, do passado constatável e do presente discernível. Quanto ao futuro, é Senhor da Promessa, que pede de nós confiança e abandono...”.
“É o próprio demônio quem semeia a suspeita no coração para dividir. A fenomenologia é inversa à da Encarnação do Verbo: o demônio busca dividir, por meio da suspeita, para confundir depois; o Senhor, no entanto, apresenta-se sempre Deus e Homem, sem confusão nem divisão. Ao semear as suspeitas, o demônio procura convencer com falácias ou com meias verdades, a fim de resguardar o coração em convicções egoístas que levam a um mundo fechado a toda objetividade (cf. Exercícios Espirituais e regra para discernimento). 

A suspeita, semeada pelo demônio, configura uma regra distorcida no coração, que distorce toda a realidade... Já não se trata de tal ou qual ideia, e sim de toda uma hermenêutica: qualquer coisa que aconteça é interpretada de forma distorcida, devido à adesão a essa regra distorcida”.
“A teoria do complô... é uma sedução primária que favorece o tipo de almas que, no fundo, sente falta de esquemas maniqueístas de bom-mau (e costuma se situar no partido dos bons). A falta de contato com uma objetivação real vai amuralhando tais almas em certa ideologia defensiva. Elas trocam a doutrina pela ideologia, a peregrinação paciente dos filhos de Deus pelo vitimismo do complô que os outros fazem contra elas.
 Acabam enroladas em palavras que aprisionam, segundo o dito que diz que as palavras que nascem da mente são um muro e as que nascem do coração são uma ponte” (J. M. Bergoglio, S.J., Sobre a acusação de si mesmo).

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney











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AS RUAS E O PASSE LIVRE

            O MOVIMENTO PASSE LIVRE REIVINDICA ALGO QUE FARÁ O BRASIL MAIS RESPEITADO MUNDO AFORA: GRATUIDADE NO TRANSPORTE PÚBLICO.  

Não via isso há muito tempo.  E meninos...eu vi!  Vi e participei das estudantadas dos anos 1960.  Chorei com gás lacrimogêneo e vi os cavalos da polícia que avançavam contra os estudantes entre os quais me encontrava. Vi e vivi o comício das diretas no Rio de Janeiro, quando um milhão de pessoas exigia “Diretas já”. Vi minha filha adolescente, com o uniforme do colégio e a cara pintada, gritando “Fora Collor!”

            Mas depois não mais vi... até agora.  Quando pensávamos que a liquidez pós-moderna havia transformado a juventude em mera consumidora passiva de bens e ideias pré-fabricadas, eis que ela encheu as ruas. E marcha,   protesta, grita. Infelizmente também comete atos violentos.  Quando as ruas se enchem e a população é que as ocupa defendendo seus direitos, isso muitas vezes acontece.

            É evidente que violência nunca é bom.  Mas acho que esquecemos que a violência é sempre ou quase sempre gerada por outra violência.  Pois há violência maior do que ter que deixar de alimentar-se para conseguir chegar ao trabalho? E trabalhar para pagar uma sobrevivência que implica escolher qual das necessidades básicas cortar do cotidiano precário e sofrido?  E ter que tomar um, dois, três transportes cheios, sem manutenção ou segurança, para chegar ao local de trabalho após acordar quando a noite ainda exibe suas estrelas e o dia não raiou?  E repetir de noite esta terrível gincana?

            Apesar de tudo, é bom ver que a juventude não perdeu a capacidade de indignar-se e expor sua insatisfação  em praça pública. É bom ver que os indignados não acontecem apenas no Chile, em Wall Street ou alhures.  Acontecem aqui e agora quando sua paciência se esgotou. Os centavos a mais foram o estopim que revelou que o dragão da inflação está de volta, com os dentes à mostra.

            Já as donas de casa o haviam sentido: no supermercado, no tomate e em muitos artigos de necessidade que de repente não cabiam mais em nosso bolso.  Já nós todos, assalariados da vida, havíamos sentido que nosso salário não subia em igual proporção que os bens e serviços que usávamos. 

            A diferença é que agora há outro ator no cenário. A nova classe média à qual o governo abriu as portas do consumo também sentiu a mordida do dragão.  E  não admitirá de forma alguma abrir mão daquilo que sempre lhe foi negado e que de repente se encontra ameaçado. Defenderá suas recentes conquistas com unhas e dentes.  Contra tudo e contra todos.
            Com os recentes acontecimentos em São Paulo e outras capitais do país fica definitivamente claro que o sonho do Brasil país do presente, do pleno emprego, do crescimento exponencial acabou.  O que resta é a realidade transparente de um país cheio de potencial, sim, que cresceu, sim, que conseguiu coisas muito importantes, sim.  Mas para quem as dificuldades não acabaram. E as metas não atingidas também não.

            O Movimento Passe Livre reivindica algo que fará o Brasil mais respeitado mundo afora: gratuidade no transporte público.  Pois o fato de que os cidadãos abastados da maior cidade do país tenham dois carros para cada membro da família enfrentar o rodízio e transformar as ruas em caos não é riqueza.
Riqueza verdadeira é quando os filhos da alta classe média usarem um transporte público de boa qualidade, com segurança e tranquilidade.  E as ruas puderem voltar a ser espaços transitáveis.

            Para além do Passe Livre abrem-se, no entanto outras discussões.  A da educação de base, nunca bem resolvida.  A da saúde, que continua a não merecer a atenção prioritária que deveria.  E várias outras.  A da corrupção, por exemplo, nunca resolvida e não mais tolerada.

            O fato é que a juventude brasileira expressa a insatisfação que habita a alma de todos.  E com tal força que já acumula algumas vitórias.  A presidente Dilma fala em tom positivo sobre “ouvir a voz que vem das ruas”. O prefeito Haddad cogita em atender as reivindicações dos manifestantes.  E em outras cidades a baixa da tarifa já aconteceu.

            Só esperamos que as manifestações reencontrem o tom adequado: indignado, mas pacífico e ordeiro.  Que não haja arruaças, violência, feridos. Como em toda discussão, quem grita e sai do tom perde a razão.  Aqui também.  Para que o “passe”continue “livre”é preciso responsabilidade no exercício da liberdade. 

Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora do Centro de Teologia  e Ciências Humanas da PUC-Rio.







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segunda-feira, junho 24, 2013

SÃO JOÃO BATISTA - “PROFETA DO ALTÍSSIMO, IRÁS À SUA FRENTE A PREPARAR OS SEUS CAMINHOS” (LC 1, 76).


O extraordinário evento da maternidade de Isabel prepara outro, o da maternidade de Maria. A missão de João faz-nos pregustar a de Jesus. Trata-se de uma única missão, em dois tempos; dois tempos de uma única história que se desenrola em ritmos alternos mas sincronizados.

João Batista, além da Virgem Maria, é o único santo de quem a Liturgia celebra o nascimento para a terra. João, como “Precursor” de Jesus teve, de fato, um papel único na História da Salvação. Filho de Zacarias e de Isabel, a sua vida não desabrochou por iniciativa humana, mas por dom de Deus a dois pais de idade avançada e, por isso, já sem possibilidade de gerar filhos. Situado na charneira entre o Antigo e o Novo Testamento, como Precursor, João é considerado profeta de um e outro Testamento. O paralelismo estabelecido por Lucas entre a infância de Jesus e de João Batista levou a Liturgia a celebrar o nascimento de ambos: o de Jesus no solstício de Inverno e o de João no solstício de Verão.

A festa do nascimento de João Batista leva-nos a pensar no amor preveniente de Deus e na importância das suas preparações para o acolhermos devidamente e com fruto. Deus prepara o nascimento de João: um anjo anuncia a Zacarias que a sua mulher, idosa e estéril, vai ter um filho, cujo nascimento alegrará a muitos; inesperadamente, o nome da criança não é Zacarias, mas João, cujo significado é: “Deus faz graça”; João é enviado a preparar os caminhos do Senhor, o “ano de graça” do Senhor, a vinda de Jesus. Como o agricultor prepara o terreno antes de lhe lançar a semente, assim Deus prepara os tempos e os corações para receberem os seus dons. É por isso que havemos de viver vigilantes, de estar atentos à ação de Deus em nós e nos outros, para a sabermos discernir no meio dos acontecimentos humanos e nas mais variadas situações da nossa vida. João ajuda-nos a estarmos atentos a Jesus e ao que Ele quer fazer em nós e no nosso mundo. João acreditou e indicou Jesus aos que o seguiam: “depois de mim, virá alguém maior do que eu… Eis o Cordeiro de Deus!”
"Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista" (Lc 7,28): a vaidade, o orgulho, a soberba, jamais encontraram lugar em seu coração. Por causa de sua austeridade e de sua fidelidade cristã, ele foi confundido com o próprio Jesus Cristo, mas, imediatamente, ele retruca: "Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele." (Jo 3, 28) e "não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14).

Por todas estas razões, a festa de hoje é um dia de alegria para a Igreja. E, todavia, João foi um profeta austero, que pregou a penitência com uma linguagem pouco amável: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de conversão e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: 
‘Temos por pai a Abraão!’” (Mt 3, 7-8).

 O PROFETA EXORTAVA A UMA PENITÊNCIA QUE SE TORNA ALEGRIA, ALEGRIA DA PURIFICAÇÃO, ALEGRIA DA VINDA DO SENHOR.

A Missão de João Batista é, de certo modo, a missão de todo o cristão: preparar a Vinda do Senhor, o que é mais do que simplesmente Anunciar. É preciso por ao serviço de Jesus não só as nossas palavras, mas também a nossa vida toda.

João ainda não nascera quando Jesus e Maria vão visitá-lo à Judeia. Estremece no seio de sua mãe. É abençoado e santificado pela presença de Jesus e pela visita de Maria. É um amigo para Jesus, di-lo ele mesmo: "O amigo do esposo, diz, alegra-se quando escuta a voz do seu amigo, é por isso que hoje estou alegre" (Jo 3, 29). 
Quando Jesus menino volta do Egito, visita o seu pequeno amigo passando pela Judeia. Cada ano, nos dias de Páscoa, estão juntos em Jerusalém. Reencontram-se no Jordão. S. João conhece a missão do seu amigo e parente, proclama a sua missão: "Eis, diz, o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo". Pregam um ao outro, mas São João envia os seus discípulos a Cristo. Recebe as suas graças de Jesus e conduz as almas a Jesus. Tal deve ser a nossa união com Jesus e Maria. Maria dar-nos-á Jesus. Sede amigos para Jesus pela vossa assiduidade, pelo vosso afeto, pela vossa confiança. Conduzamos-lhe as almas, não procuremos em nada reter a sua afeição por nós, admiremos nisto o desapego de São João. Ide a Jesus, diz a todos, nada sou senão uma voz que prega no deserto, não sou digno de desatar os seus sapatos. 

São João Batista, glorioso Precursor de Jesus, verdadeiro amigo do Esposo, ensinai-me o espírito de penitência e o amor da pureza para alcançar uma união, cada vez maior, com Jesus, o Salvador, e com Maria, sua Mãe. Ensinai-me a viver essa união em todos os momentos da minha vida, incluindo o meu apostolado em que procuro preparar, como vós, os caminhos do Senhor. Que a minha ternura por Jesus se torne, cada vez mais, semelhante à vossa. Amém.



Padre Joaquim Garrido, Padre Manuel Barbosa, Padre José Ornelas Carvalho





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“QUEM DIZEIS QUE EU SOU?” - XII DOMINGO DO TEMPO COMUM

NEM SEMPRE É FÁCIL DAR NOME A ESSE ESTRANHO MAL-ESTAR QUE AS VEZES SENTIMOS EM ALGUM MOMENTO DA VIDA.

Assim me confessaram, em mais de uma ocasião, pessoas que, por outro lado, buscavam “algo diferente”, uma luz nova, talvez uma experiência capaz de dar sentido novo a seu viver diário.

Podemos chamar isso de “VAZIO INTERIOR”.  As vezes seria melhor chamá-lo de “TÉDIO”, cansaço de viver sempre a mesma coisa, sensação de não encontrar o segredo da vida: estamos nos equivocando em algo essencial e não sabemos exatamente em quê.
As vezes a crise adquire um tom religioso. Não sabemos em que crer, nada consegue iluminar-nos por dentro, abandonamos a religião ingênua de outros tempos, mas não a substituímos por nada melhor. Então pode crescer em nós uma sensação estranha de culpabilidade: ficamos sem chave alguma para orientar nossa vida. O que podemos fazer?
A primeira coisa é não ceder à tristeza: tudo está nos chamando a viver. Dentro desse mal-estar existe algo de suma importância: nosso desejo de viver algo com mais verdade. O que precisamos é reorientar nossa vida. Não se trata de corrigir um aspecto ou outro. Isso virá depois. Agora o importante é ir ao essencial, encontrar uma nova fonte de vida e de salvação.

É uma sorte então encontrar-nos com a pessoa de Jesus. Ele nos pode ajudar a conhecer-nos com mais verdade, despertando o que há de melhor em nós. Ele nos pode levar ao essencial, porque nos convida a fazer-nos as perguntas que nos aproximam do que é importante.
Nele ouvimos uma chamado a viver a existência a partir de sua raiz última, que é um Deus “amigo da vida”. Ele nos convida a reorientar tudo para uma vida mais digna, mais generosa, mais humana. Por isso, é tão importante, em qualquer momento da vida, responder sinceramente a essa pergunta de Jesus: “quem dizeis que eu sou?”

Cf. O Caminho aberto por Jesus, José Antonio Pagola , pág 151 , Ed Vozes


sábado, junho 22, 2013

CONVITE - DIA 27/06 ÀS 18H - "MISSA DOS 99 ANOS DA BÊNÇÃO DA PEDRA FUNDAMENTAL DA PARÓQUIA SÃO CONRADO"


O nome do bairro tem origem na Igreja de São Conrado, construída no início do século XX, pelo  Comendador Conrado Jacob Niemeyer, proprietário das terras nas redondezas. E São Conrado de Constance foi adotado como padroeiro.
ABAIXO ALGUMAS IMAGENS ANTIGAS QUE CONTAM A HISTÓRIA DA IGREJA E DO CRESCIMENTO DO BAIRRO DE SÃO CONRADO


São Conrado era um distante arrebalde, deserto, à sombra da imensa Pedra da Gávea, com sua longa praia, de acesso fechado pela mata. Desde 1767, a atual Estrada da Gávea, ainda de terra, servia de acesso à região. 
A região,espremida entre o mar e o Morro do Cochrane, pertencia à Fazenda São José da Lagoinha da Gávea, também conhecida como Morgadio de Asseca, propriedade dos herdeiros de Salvador Corrêa de Sá e Benevides, nos meados do Século XVIII. 
 Sua sede foi comprada, em 1932, por Osvaldo Riso, se transformando na atual Villa Riso, centro de visitação com eventos culturais e exposições de artes.
 No início do século XX, o Comendador Conrado Jacob Niemeyer possuía grande fazenda na baixada e nela ergueu uma pequena igreja, em 1916, em devoção a São Conrado, origem do nome do bairro.
Niemeyer também concluiu a belíssima Avenida Niemeyer - doada a Prefeitura, em 1916 – e melhorou a Estrada da Gávea, que ganhou esse nome em 1917, após incorporar parte da Rua Marquês de São Vicente. 
 Em 1919, a Avenida Niemeyer seria alargada por Paulo de Frontin. Já a Estrada da Gávea, com suas curvas sinuosas, fazia o chamado “Trampolim do Diabo” e, entre 1933 e 1952, serviu às corridas automobilísticas do “Circuito da Gávea”. 

Em 1921, integrantes da empresa Tramway criaram o Gávea Golf & Country Club, abrangendo grande área verde e a chamada “Casa Azul”, sede de antigo engenho.
 Em 1930, surgia o primeiro loteamento do bairro, que deu origem à Rua Capuri. Nos anos 1940 e 1950, o Largo de São Conrado era bastante freqüentado e ali viria a se instalar o popular “Bar Bem”.
 Novos loteamentos surgiam, como o Jardim Gávea e o loteamento da Rua Iposeira e, em 1949, foi inaugurada a Estrada da Canoa, com seu belo mirante no Viaduto Berta Leitchic.
Depois, nos anos 1980 – a época das danceterias -, as Boites Zoom e Circus passaram a atrair uma parte da juventude carioca.
Dois fatores influenciaram profundamente o processo de ocupação do bairro: a inauguração do Túnel Dois Irmãos (atual Zuzu Angel), em 1971, e seu prolongamento, a Auto Estrada Lagoa-Barra, que transformou São Conrado em bairro de passagem. 
 Surgiram os grandes condomínios de prédios altos, foram construídos os hotéis Nacional e Intercontinental e a orla marítima foi urbanizada.
 A ocupação de classe média alta se refletia no sofisticado Shopping São Conrado Fashion Mall (1982), em contraste com a Favela da Rocinha, cuja origem se deu na década de 1930, com barracos esparsos e lavouras. A partir das décadas de 1970 e 1980, a Rocinha passou a ter um expansão acelerada, se transformando em uma das maiores favelas da cidade, com comércio expressivo, serviços e mais de 2500 empresas.

 No início dos anos de 1990, foi desmembrada dos bairros vizinhos, para se tornar o bairro e a XVII Região Administrativa da Rocinha. São Conrado é emoldurado pelo verde intenso das florestas do Parque Nacional da Tijuca, no Morro do Cochrane (718 metros de altitude), e pelo espetacular maciço rochoso formado pela Pedra da Gávea, com 844 metros de altitude, pela Pedra Bonita e pela Agulhinha da Gávea, todas acessíveis por trilhas.
 No Morro da Pedra Bonita, localiza- se a Rampa Maurício Klabin, a 524 m de altitude, utilizada como decolagem dos pilotos de asas-delta e parapentes, rumo a Praia do Pepino (de São Conrado).





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sexta-feira, junho 21, 2013

OUVIR O CLAMOR QUE VEM DAS RUAS


A presidência da CNBB apresentou a Nota em entrevista coletiva e o documento foi aprovado na reunião do Conselho Permanente concluída na manhã desta sexta-feira, 21 de junho.
Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. 
Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.
Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. 
Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: “O Gigante acordou!”
Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. 
A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”.
O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. 
Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.

Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de novos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo.

Brasília, 21 de junho de 2013.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB