sexta-feira, fevereiro 28, 2014

RIO COMEMORA 449 ANOS DE HISTÓRIA


O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, celebrará uma missa em ação de graças, às 9h, na Paróquia São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca. Às 12h, o cardeal participará da celebração do aniversário da cidade na Rua da Carioca, em festividade promovida pela Sociedade dos Amigos da Carioca e Adjacências (SARCA).
 Está prevista que a imagem de São Sebastião seja conduzida em um carro do Corpo de Bombeiros da Catedral até a Rua da Carioca, onde um grande bolo de 10 metros será cortado e distribuído para a população.
 "Será a 25ª edição desta festa tradicional. Completaremos este ano Bodas de Prata. Serão oito bolos, de mais ou menos 1m25, com imagens importantes para a cidade do Rio, entre elas, a da Arquidiocese e do arcebispo Dom Orani, que receberá a faixa "O mais carioca dos cardeais".
 Contaremos com a participação do cantor Agnaldo Timóteo, que homenageará a cidade cantando a 'Ave Maria' ", afirmou o presidente da SARCA, Roberto Cury.

A animação já está no clima de preparação para a festa do ano que vem, quando a cidade completa 450 anos de fundação. 

Mais de 1.400 pessoas participaram da campanha lançada pelo Comitê Rio450, da Prefeitura do Rio, ao enviar ideias de eventos comemorativos.

Desde o lançamento oficial do comitê, os cidadãos sugeriram iniciativas de comemoração no portal eletrônico oficial, divididos entre festividades ou presentes. “Como presentes, imaginamos iniciativas de mais longo prazo, melhorias que o bairro precisa, projetos culturais de restauro, um projeto cultural, ou urbanístico, coisas que possamos deixar para a cidade como legado”, explicou o presidente do Rio450, Marcelo Calero. Já as festividades, de acordo com ele, são próprias do carioca, “um povo que gosta de comemorar”.
Uma primeira parcial, divulgada no início do mês, revela que os moradores de Copacabana, Campo Grande e Tijuca foram os que mais deram ideias à iniciativa. O próximo passo é escolher entre as centenas de sugestões o que realmente vai sair do papel. A escolha será aberta aos cariocas a partir do dia 17 de março, no site: www.rio450anos.com.br.
As comemorações dos 450 anos começam ainda em 2014, no dia 31 de dezembro, e seguem até 1º de março do ano que vem.

Os mais ansiosos já podem acompanhar o clima de festa nas redes sociais oficiais, como no Facebook: www.fb.com/Rio450, e o Instagram:
http://instagram.com/rio450.
Comitê Rio450 promove desafio nas redes sociais
No Instagram @Rio450, a contagem regressiva é por meio das lentes de celulares e câmeras fotográficas dos cariocas. O objetivo da campanha é despertar o interesse do carioca e de quem vive na cidade pela história do Rio.
A cada semana, o perfil oficial divulga uma hashtag com um tema e uma motivação sobre um período histórico. Ao longo da semana são escolhidas sete imagens, uma por dia. A equipe de autores do @Rio450 usa as fotos escolhidas para estabelecer uma relação entre as imagens com o período histórico.

Ao todo serão 65 temas semanais compreendendo 15 períodos históricos, resultando em uma foto por dia. Os seguidores do perfil recebem dicas para a realização das missões. Ao término de cada uma, a melhor foto é escolhida e divulgada no perfil @Rio450.

Cada usuário pode mandar quantas fotos quiser e puder. O que vale é a participação, o empenho em revisitar lugares e edificações que contam através do tempo a história da cidade. Para cada foto divulgada o usuário deve colocar a # (hashtag) referente à missão. No dia 1º de marco, em pleno sábado de Carnaval, já estará em curso a missão Folia e a hashtag utilizada será #Rio450_Folia.
Roteiros gratuitos para conhecer a cidade
Para quem ama o Rio e quer comemorar o aniversário conhecendo mais a cidade, há a opção dos passeios históricos. O projeto “Roteiros Geográficos do Rio”, tocado pela Secretaria de Cultura e pelo Instituto de Geografia da Uerj, promove atividades lembrando os 449 anos da cidade.  No dia 1º de março, o encontro começa às 15h, junto à Ladeira da Misericórdia, atrás do Museu Histórico e do Museu da Imagem e do Som.

O projeto promove caminhadas gratuitas na área central do Rio de Janeiro, de dia e à noite, e em outros pontos da urbe carioca. O objetivo é resgatar o espaço urbano carioca, traduzindo, dessa forma, a cidade como um livro aberto a ser explicado, ampliando, assim, os domínios do conhecimento dos participantes sobre a própria geografia na qual criam, atuam e vivem.
As inscrições são gratuitas e podem ser efetuadas pelo email: roteirosgeorio@uol.com.br, pelo facebook: www.fb.com/roteirosgeorio, pelo Twitter: @roteirosgeorio, ou pelo telefone: (21) 98871-7238. O itinerário e outras informações estão disponíveis no site www.roteirosdorio.com.

Colaboração: Cláudia Brito de Albuquerque e Sá
arqrio.org
www.rio450anos.com.br




2014 ANO DO CENTENÁRIO DA IGREJA SÃO CONRADO - RJ

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"NA MISSA SEM RELÓGIO" - Papa Francisco I


“Não se vai à missa com o relógio na mão, como se tivéssemos que contar os minutos ou assistir a uma representação. Vai-se para participar no mistério de Deus. 

E isto é válido também para quantos vêm a Santa Marta participar na missa celebrada pelo Papa, que – disse o Pontífice aos fiéis presentes na capela da sua residência, na manhã de 10 de fevereiro - não é um passeio turístico. Não! Vós vindes aqui e reunimo-nos para entrar no mistério. Esta é a liturgia”.
Para explicar o sentido deste encontro direto com o mistério, o Papa Francisco recordou que o Senhor falou ao seu povo não só com as palavras. “Os profetas – disse referiam as palavras do Senhor. Os profetas anunciavam.

 Acontece o mesmo também na Igreja”. Fá-lo através da sua Palavra recolhida no Evangelho e na Bíblia: fala-nos através da catequese,  da homilia. 
Quando celebramos a missa, não fazemos uma representação da Última Ceia. A missa “não é uma representação, é algo diverso. É precisamente a Última ceia; é exatamente viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor torna-se presente no altar para ser oferecido ao pai pela salvação do mundo”.

Em seguida, O Papa Francisco propôs, como muitas vezes costuma fazer, um comportamento comum aos irmãos: “Nós ouvimos ou dizemos: “mas, agora eu não posso, tenho que ir à missa, tenho que ouvir missa”. 

A missa não se ouve, nela participa-se. E participa-se nesta teofania, neste mistério da presença do Senhor entre nós”. 
Depois, o Papa referiu como comportamento bastante comum entre os cristãos: “Quantas vezes – observou – contamos os minutos … “tenho só meia hora, tenho que  ir à missa..” 

Esta “não é atitude que a liturgia nos pede: a liturgia é tempo de Deus e espaço de Deus, e nós devemos estar ali no tempo de Deus, no espaço de Deus e não olhar para o relógio. 

A liturgia é precisamente entrar no mistério de Deus; deixar-se levar ao mistério e estar no mistério”.

L' Osservatore Romano

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quinta-feira, fevereiro 27, 2014

PREPAREMOS A QUARESMA por Cardeal Orani Tempesta


Para nós no Brasil temos a Campanha da Fraternidade que neste ano nos chama a ver os pecados de nossa sociedade com relação ao tráfico humano. Sobre esse assunto já escrevi e tivemos em nossa Arquidiocese a preparação para o lançamento da mesma na Quarta-feira de Cinzas.

O Papa Francisco também já nos orienta mundialmente sobre o que ele deseja da Igreja Católica neste ano: “Fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8,9). Esse mesmo teor ele nos indica para a reflexão e prática como tema da Jornada Mundial da Juventude que ocorre em nível diocesano no Domingo de Ramos: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,3).
E com essa proposta, já indica os próximos temas dos anos seguintes, dentro do “Sermão da Montanha”.
O nosso convite é para que neste tempo vivamos intensamente a vida de silêncio, conversão – preparando-nos para celebrar festivamente a Páscoa da Ressurreição.

A palavra "Quaresma" vem do latim "quadragésima", isto é, "quarenta", e está ligada a acontecimentos bíblicos, que dizem respeito à história da salvação: jejum de Moisés no Monte Sinai, caminhada de Elias para o Monte Horeb, caminhada do povo de Israel pelo deserto, jejum de Cristo no deserto. Como outrora, o povo de Deus caminhou 40 anos no deserto, rumo à Terra prometida (Terra de Canaã), e Jesus se retirou 40 dias no deserto, preparando sua paixão, morte e ressurreição, assim, os cristãos, hoje, acompanham os passos do Divino salvador, preparando devotamente a santa Páscoa.

A Quaresma é um tempo de Preparação Penitencial para a Páscoa, e tem dois momentos distintos: o primeiro vai da Quarta-feira de Cinzas até o Domingo da Paixão e de Ramos, e o segundo, como preparação imediata, vai do Domingo de Ramos até à tarde de Quinta-feira Santa, quando se encerra então o tempo quaresmal. Aí começamos a celebrar o Solene Tríduo Pascal.
O tempo da Quaresma é tempo privilegiado na vida da Igreja. É o chamado tempo forte, de conversão e de mudança de vida. Sua palavra-chave é: "metanóia", ou seja, conversão. Nesse tempo se registram os grandes exercícios quaresmais: a prática da caridade e as obras de misericórdia. O jejum, a esmola e a oração são exercícios bíblicos até hoje recomendáveis na imitação da espiritualidade judaica. No Brasil, como dissemos, realiza-se a Campanha da Fraternidade, com sua proposta concreta de ajuda aos irmãos (temos a coleta da solidariedade), focalizando sempre um tema da vida social.

Seis são os domingos da Quaresma, sendo o sexto já o Domingo de Ramos. A Quaresma tem o seu domingo da alegria: o 4º domingo, chamado "Laetare".

A Espiritualidade Quaresmal é caracterizada pela:
Escuta da Palavra de Deus: a Palavra de Deus é a luz que ilumina nossos passos, chama à conversão e reanima nossa confiança na misericórdia e bondade de Deus. Vamos ouvir o que Deus quer nos dizer nesta Quaresma através de sua Palavra!

Oração: na Quaresma devemos intensificar a vida de oração pessoal e comunitária. Lembramos as reuniões da CF e da via-sacra em família ou nas comunidades como momento forte de oração comunitária. Pela oração entramos em sintonia e intimidade com Deus e discernimos sua vontade.
Caridade: na Quaresma somos chamados ao exercício da caridade fraterna e solidariedade com os irmãos. Caridade que se expressa, sobretudo, através da esmola. A esmola é um exercício de libertação do egoísmo. A partilha dos bens materiais é um gesto de caridade cristã que enobrece a alma humana. 

Lembramos que neste ano a Arquidiocese vive o “Ano da Caridade”, e este gesto deveria ser ainda mais intensificado. Porém, dar esmola não é apenas dar dinheiro, roupas e alimentos... É fazer-se doação e entrega aos irmãos no serviço de construção da fraternidade que é expressão do evangelho. 
O Papa Francisco nos recorda de comprometer-se com o outro, “olhar o outro” com quem estou partilhando. A Igreja no Brasil promove neste período a Campanha da Fraternidade, que é um grande chamamento e mobilização em favor de uma sociedade fraterna, justa e solidária. Neste ano temos como tema: Fraternidade e Tráfico Humano e o lema: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1).

A Campanha da Fraternidade, desde 1964, tem como objetivo unir os cristãos de todo país e pessoas de boa vontade num grande mutirão pela fraternidade e solidariedade entre as pessoas. Reflexões em comunidades, gestos concretos, aprofundar o tema, viver a conversão e profetizar em nosso tempo: eis passos importantes para a CF.

Jejum: o jejum e a abstinência de carne são gestos exteriores que expressam nosso esforço de conversão e mudança interior. Porquanto, a Quaresma é tempo de retomar o caminho do Evangelho, de renovação espiritual, de morte ao pecado e de cultivo da vida nova ou vida da graça.
Assim sendo, preparemos com entusiasmo Cristão a nossa santa Páscoa através da oração, do jejum e da caridade! Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa são dias especiais para manifestarmos esse gesto, além de todos os demais dias de Quaresma, em especial, às sextas-feiras.

Confissão: o gesto da celebração penitencial quando reconhecemos nossos pecados e experimentamos a misericórdia de Deus deve ser outro gesto que não pode faltar neste tempo. Para isso as paróquias fazem mutirões de confissões, quando os padres de uma mesma região se unem para atender as pessoas de uma paróquia, dando assim oportunidade de todos se confessarem.

A mística deste tempo tem uma riqueza imensa. O Papa Francisco nos ajuda neste ano com o tema: "Fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza"(cf. 2 Cor 8, 9)
Ele nos pergunta em que consiste em ser pobre? "Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na beira da estrada (cf. Lc 10, 25-37).
 Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu 'jugo suave' (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua 'rica pobreza' e 'pobre riqueza', a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito Rm 8, 29".

O Papa Francisco nos convida a viver e a testemunhar a pobreza: "Poderíamos pensar que este 'caminho' da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo".

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna.
São muitas riquezas a serem aprofundadas neste tempo que se aproxima. Desde já vamos nos preparando! Um grande acontecimento tem que ser bem preparado. É este o sentido que queremos viver desde já!

Que nesta Quaresma que se aproxima possamos fazer experiência da misericórdia, tornarmo-nos misericordiosos e agentes de misericórdia com um coração e vida de pobre, comprometendo-nos com a libertação das pessoas subjugadas por tantas situações de tráfico humano. Eis que se aproxima a oportunidade de vivermos o “tempo de conversão”.

ARQRIO



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terça-feira, fevereiro 25, 2014

INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO, PARA O COLÉGIO DOS CARDEAIS – PAPA FRANCISCO


Cidade do Vaticano – O Santo Padre presidiu, na manhã deste domingo, na Basílica Vaticana, à solene concelebração Eucarística, com os novos Cardeais e com os membros do Colégio Cardinalício, presentes em Roma.

Durante a homilia, que pronunciou durante a Santa Missa, Papa Francisco partiu da oração da coleta da liturgia de hoje: “A vossa ajuda, Pai misericordioso, sempre nos torne atentos à voz do Espírito”.
Esta oração convida-nos a uma atitude fundamental: a escuta ao Espírito Santo, que vivifica a Igreja e a anima.
 “Com a sua força criativa e renovadora, frisou o Papa, o Espírito sustenta sempre a esperança do Povo de Deus, que caminha na história e sempre sustenta, como Paráclito, o testemunho dos cristãos. Neste momento, juntamente com os novos Cardeais, queremos ouvir a voz do Espírito, que nos fala através das Escrituras proclamadas”.
A seguir, o Pontífice citou a passagem da primeira Leitura, do Levítico, na qual ressoa este apelo do Senhor ao seu povo: “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” e a frase de Jesus que ecoa no Evangelho: “Haveis, pois, de ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.
“Estas palavras interpelam a todos nós, discípulos do Senhor, e hoje são dirigidas especialmente a mim e, de modo particular, a vocês, queridos Irmãos Cardeais, que, desde ontem, começaram a fazer parte do Colégio Cardinalício. 

Imitar a santidade e a perfeição de Deus pode parecer uma meta inatingível; contudo, a primeira Leitura e o Evangelho sugerem os exemplos concretos para que a atitude de Deus se torne a regra do nosso agir”.
Lembremo-nos, porém, afirmou o Santo Padre, que o nosso esforço, sem o Espírito Santo, seria vão! A santidade cristã não é, primeiramente, obra nossa, mas fruto da docilidade – deliberada e cultivada – do Espírito de Deus, três vezes Santo.
E, recordando ainda o texto do Levítico, onde se lê: “Não odieis um irmão vosso no íntimo do coração…; não vos vingueis; não guardeis rancor, mas Amai o vosso próximo”, o Bispo de Roma esclareceu: “Estas atitudes nascem da santidade de Deus. Nós, porém, somos tão diferentes, tão egoístas e orgulhosos…; no entanto, a bondade e a beleza de Deus nos atraem e o Espírito Santo pode nos purificar, transformar, moldar, dia após dia”.

O Papa recorda que, no Evangelho, Jesus nos fala também da santidade e explica e transmite a sua nova lei, através de algumas antíteses entre a justiça imperfeita dos escribas e fariseus e a justiça superior do Reino de Deus. A primeira antítese do texto de hoje tem a ver com a vingança: “Olho por olho e dente por dente”. … se alguém bater na sua face direita, dá-lhe também a outra”. 

Não só não devemos restituir ao outro o mal que nos fez, mas temos também que nos esforçar em fazer o bem, de modo exemplar.
O Pontífice retomou, depois, a segunda antítese, que se refere aos inimigos: “Deveis amar o vosso próximo e odiar o vosso inimigo”. Mas, está escrito: “Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”. A quem quer segui-Lo, Jesus pede para amar a pessoa que não merece, sem retribuição, a fim de preencher as lacunas de amor que há nos corações, nas relações humanas, nas famílias, nas comunidades, no mundo.

Neste sentido, o Papa recordou que “Jesus não veio para nos ensinar as boas maneiras, as cortesias; para isso, não era preciso descer do Céu e morrer na cruz. Cristo veio para nos salvar, para nos mostrar o caminho, o único caminho de saída das areias movediças do pecado: este é o caminho da misericórdia. Ser santo não é um luxo, mas é necessário para a salvação do mundo. E o Papa exortou:
“Queridos Irmãos Cardeais, o Senhor Jesus e a mãe Igreja nos pedem para dar testemunho, com maior zelo e ardor, destas atitudes de santidade. É precisamente neste suplemento de oblatividade gratuita que consiste a santidade de um Cardeal”.

Por conseguinte, o Papa Francisco exortou os Cardeais: amemos aqueles que nos são hostis; abençoemos quem fala mal de nós; saudemos com um sorriso quem, talvez, não merece; não aspiremos a fazer valer o nosso poder, mas oponhamos a mansidão à prepotência; esqueçamos as humilhações sofridas. 

Deixemo-nos guiar sempre pelo Espírito de Cristo: Ele se sacrificou na cruz, para podermos ser “canais” por onde passa a sua caridade. Eis o comportamento e a conduta de um Cardeal:
“O Cardeal entra na Igreja de Roma, não entra em uma corte. Ajudemo-nos, mutuamente, a evitar hábitos e comportamentos de corte: intrigas, críticas, facções, favoritismos, preferências. 
A nossa linguagem deve ser a do Evangelho: ‘Sim, sim; não, não’; as nossas atitudes devem ser as das bem-aventuranças; e o nosso caminho, o da santidade”.

Hoje, disse o Pontífice, o Espírito Santo nos fala que “somos templos, onde se celebra uma liturgia existencial: a da bondade, do perdão, do serviço”. Em uma única palavra, onde se celebra “a liturgia do amor”. 

E ponderou: “Este nosso templo se torna, de certo modo, profanado, quando descuidamos dos deveres para com o próximo; quando, o menor dos nossos irmãos, encontra lugar no nosso coração, é o próprio Deus que nele habita; mas, quando excluímos este irmão, não acolhemos o próprio Deus. Um coração vazio de amor é como uma igreja dessacralizada, subtraída ao serviço de Deus e destinada a outro fim”.

O Papa Francisco concluiu sua homilia, dirigindo-se, mais uma vez, aos Cardeais presentes, exortando-os a “permanecerem unidos em Cristo e entre nós”! E lhes pediu para o acompanhem de perto, com suas orações, conselhos e colaboração.
Por fim, o Santo Padre convidou os bispos, presbíteros, diáconos, pessoas consagradas e leigos a se unirem, na invocação ao Espírito Santo, para que o Colégio dos Cardeais seja cada vez mais abrasado de caridade pastoral, cada vez mais cheio de santidade, para servir o Evangelho e ajudar a Igreja a irradiar pelo mundo o amor de Cristo. (RV)




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domingo, fevereiro 23, 2014

"EU SOU O MAIOR INIMIGO DE MIM MESMO" VII DTC-A

A LITURGIA DESTE DOMINGO, AO CONTINUAR NOS RECORDANDO QUE A SABEDORIA DIVINA É DIFERENTE DA NOSSA, APRESENTA O AMOR AOS INIMIGOS COMO UM DOS GRANDES CRITÉRIOS PARA VERIFICARMOS SE, DE FATO, SOMOS OU NÃO DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS DO CRISTO SENHOR.

Conscientes de que tamanha radicalidade no amor é algo que depende de muita oração e grande empenho pessoal, unimo-nos ao redor do altar para celebrar o mistério d’Aquele que, em sua vida, paixão, morte e ressurreição, amou a todos, inclusive os que se consideravam seus inimigos.

Homilia de Padre Marcos Belizário Ferreira
“Amar os inimigos” faz parte de uma lógica nova, desconhecida pelo menos a nível oficial no mundo antigo, que praticava uma justiça fundada exclusivamente na igualdade do dar e do receber (“olho por olho, dente por dente”).
 “Amar os inimigos” é muito mais do que perdoa-lhes; é fazer-lhes bem positivamente, é oferecer-lhes a própria túnica, é não pedir juros nos empréstimos, é saudar em primeiro lugar, é oferecer a outra face quando já se foi ofendido. 

É uma perspectiva nova, dura, paradoxal, construída partindo de um ponto de vista impensável: amar os prepotentes e os inimigos, porque Deus os ama.
É deste modo que movidos pelo Espírito, vivem antecipando a alegria da vida eterna.
Não é estranho que as palavras de Jesus ressoem em nossa sociedade como um grito ingênuo além de discordante: “Amai vossos inimigos e fazei o bem aos que vos perseguem”.

E, no entanto, talvez seja esta a palavra que mais precisamos ouvir nestes momentos em que, imersos na perplexidade, não sabemos o que fazer em concreto para ir arrancando do mundo a violência.

Não podemos oferecer soluções técnicas aos conflitos, mas sim para que possamos descobrir com que atitude devemos abordá-los.
Há uma convicção profunda em Jesus. 
Não se pode vencer o mal à base de ódio e violência. Ao mal só se vence com o bem. Ele não se detém, em alguma circunstância concreta, a violência pode ser legítima. 

Em vez disso, Ele nos convida a trabalhar e lutar para que nunca o seja. Por isso é importante buscar sempre caminhos que nos levam para a fraternidade e não para o fratricídio.

Amar os inimigos não significa tolerar as injustiças e retirar-se comodamente da luta contra o mal. O que Jesus viu com clareza é que não se luta contra o mal quando se destrói as pessoas. 
Deve-se combater o mal, mas sem buscar a destruição do adversário.
Jesus convida a “fazer violência à violência”. O verdadeiro inimigo para o qual devemos dirigir nossa agressividade não é o outro, mas nosso próprio “eu” egoísta, capaz de destruir a quem se opõe a ele.

É um equívoco acreditar que o mal pode ser detido com o mal e a injustiça com a injustiça. O respeito total ao ser humano, tal como Jesus o entende, está pedindo um esforço constante para suprimir a mútua violência e promover o diálogo e a busca de uma convivência sempre mais justa e fraterna.
Nós cristãos devemos perguntar-nos por que não soubemos extrair do Evangelho todas as consequências da “não violência” de Jesus, e por que não lhe demos o papel central que há de ocupar na vida e na pregação da Igreja.

cf O Caminho aberto por Jesus, Pagola, Ed Vozes



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sábado, fevereiro 22, 2014

CARDEAL TEMPESTA


“Quando foi anunciado o ‘Consistório’, eu senti no Rio de Janeiro e no Brasil também que, de certa forma, todo mundo se sentiu nomeado junto comigo. Então eu trago o sentimento de quem não representa só a si mesmo, não só o Rio de Janeiro, mas muita gente no Brasil. 

Trago comigo muita gente que se sentiu agraciado com esse título e, é claro, alguém tem que representar este povo todo e coube a mim. Depois, uma grande responsabilidade, para a qual eu peço a Deus que me dê a capacidade de poder servir à Igreja e ao mundo, evidentemente a Igreja com sua responsabilidade mundial, para que possamos levar para frente esta grande missão”. Cardeal Tempesta 

Nessa solenidade com grandes momentos e ao mesmo tempo com simplicidade e recolhimento que caracterizaram o clima com que decorreu, na basílica de São Pedro, com a presença do Papa emérito, Bento XVI, aconteceu o primeiro consistório do pontificado do Papa Francisco para a criação de 19 cardeais, incluindo 16 eleitores. 
A celebração inclui o rito de entrega do barrete e do anel cardinalício (momentos unificados desde 2012, por decisão de Bento XVI), assim como a tradicional atribuição a cada um dos novos cardeais do “título” de uma igreja de Roma.
O Papa Francisco comentou o Evangelho proclamado (Marcos 10, 32-45), sublinhando duas afirmações do texto: “Jesus caminhava à frente deles” e “Jesus chamou-os”.
Também neste momento Jesus caminha à nossa frente. Ele está sempre à nossa frente. Precede-nos e abre-nos o caminho... E esta é a nossa confiança e a nossa alegria: ser seus discípulos, estar com Ele, caminhar atrás d’Ele, segui-Lo...

O Santo Padre evocou a primeira concelebração, há um ano, na Capela Sistina, após a eleição. Já nessa altura, recordou, "caminhar" foi a primeira palavra que o Senhor nos propôs: caminhar e, em seguida, construir e confessar. Hoje de novo volta esta palavra, mas como um ato, como a ação de Jesus que continua: "Jesus caminhava…"
Isto é uma coisa que impressiona nos Evangelhos: Jesus caminha muito e instrui os seus discípulos ao longo do caminho. Isto é importante. Jesus não veio para ensinar uma filosofia, uma ideologia... mas um "caminho", uma estrada que se deve percorrer com Ele; e aprende-se a estrada, percorrendo-a, caminhando. Sim, queridos Irmãos, esta é a nossa alegria: caminhar com Jesus.
Isso não é fácil, não é cômodo, porque a estrada que Jesus escolhe é o caminho da cruz. Enquanto estão a caminho, fala aos seus discípulos do que Lhe acontecerá em Jerusalém: preanuncia a sua paixão, morte e ressurreição. E eles ficam "surpreendidos" e "cheios de medo". 
Surpreendidos, sem dúvida, porque, para eles, subir a Jerusalém significava participar no triunfo do Messias, na sua vitória – como se vê em seguida pelo pedido de Tiago e João; e cheios de medo, por causa daquilo que Jesus haveria de sofrer e que se arriscavam a sofrer eles também.
Mas nós, ao contrário dos discípulos de então, sabemos que Jesus venceu e não deveríamos ter medo da Cruz; antes, é na Cruz que temos posta a nossa esperança. E, contudo, sendo também nós humanos, pecadores, estamos sujeitos à tentação de pensar à maneira dos homens e não de Deus.
E quando se pensa de maneira mundana, qual é a consequência? – interrogou-se o Papa. "Os outros dez indignaram-se com Tiago e João" (Mc 10, 41). Indignaram-se. Se prevalece a mentalidade do mundo, sobrevêm as rivalidades, as invejas, as facções… Assim, esta palavra que o Senhor nos dirige hoje, é muito salutar! 
Purifica-nos interiormente, ilumina as nossas consciências e ajuda a sintonizarmo-nos plenamente com Jesus; e a fazê-lo juntos, no momento em que aumenta o Colégio Cardinalício com a entrada de novos Membros.
Comentando depois a outra passagem do texto em que se refere: "Jesus chamou-os..." (Mc 10, 42). É o outro gesto do Senhor. Ao longo do caminho, dá-Se conta que há necessidade de falar aos Doze, pára e chama-os para junto de Si.
Irmãos, deixemos que o Senhor Jesus nos chame para junto de Si! Deixemo-nos “con-vocar” por Ele. E ouçamo-Lo, com a alegria de acolhermos juntos a sua Palavra, de nos deixarmos instruir por ela e pelo Espírito Santo para, ao redor de Jesus, nos tornarmos cada vez mais um só coração e uma só alma.

É isto de que a Igreja precisa – sublinhou o Papa Francisco, dirigindo-se aos cardeais presentes:
A Igreja precisa de vós, da vossa colaboração e, antes disso, da vossa comunhão, comunhão comigo e entre vós. A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o Evangelho a tempo e fora de tempo, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração pelo bom caminho do rebanho de Cristo; oração que é, juntamente com o anúncio da Palavra, a primeira tarefa do Bispo.
 A Igreja precisa da vossa compaixão, sobretudo neste momento de tribulação e sofrimento em tantos países do mundo.
Neste contexto, o Papa exprimiu “proximidade espiritual às comunidades eclesiais e a todos os cristãos que sofrem discriminações e perseguições”.
A Igreja precisa da nossa oração em favor deles, para que sejam fortes na fé e saibam reagir ao mal com o bem. E esta nossa oração estende-se a todo o homem e mulher que sofre injustiça por causa das suas convicções religiosas.
A Igreja precisa de nós também como homens de paz, precisa que façamos a paz com as nossas obras, os nossos desejos, as nossas orações: por isso invocamos a paz e a reconciliação para os povos que, nestes tempos, vivem provados pela violência e a guerra.

Após esta homilia e o profundo silêncio de recolhimento que se lhe seguiu, o Papa Francisco procedeu à leitura da fórmula de criação e proclamou solenemente os nomes dos novos cardeais, para os unir com “um vínculo mais estreito à Sé de Pedro”.
Teve depois lugar a profissão de fé e o juramento dos novos cardeais, de fidelidade e obediência a Francisco e seus sucessores, “agora e para sempre”. Um a um ajoelharam-se aos pés do Papa, para dele receberem o barrete cardinalício, imposto “como sinal da dignidade do cardinalato”, significando que todos devem estar prontos a comportar-se “com fortaleza, até à efusão do sangue", como refere o ritual
O Papa entregou depois aos novos cardeais o respectivo anel, para que se “reforce o amor pela Igreja”. E nessa altura, foi atribuído a cada cardeal uma igreja de Roma (título ou diaconia) - simbolizando a “participação na solicitude pastoral do Papa” na cidade -, recebendo ainda a bula de criação cardinalícia, momento selado por um abraço de paz.

Os novos cardeais são provenientes de 15 países: 4 da América do Norte e Central: Canadá, Nicarágua, Haiti e Antilhas: 3 da América do Sul: Argentina, Brasil e Chile; 2 da África: Costa do Marfim e Burkina Fasso; 2 da Ásia: Coréia e Filipinas.

Com a criação do novo cardeal brasileiro, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, o Brasil agora tem dez Cardeais:

1. Dom Cláudio Hummes, Prefeito emérito da Congregação para o Clero e Arcebispo emérito de São Paulo;
2. Dom Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro;
3. Dom Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo emérito de São Salvador da Bahia;
4. Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
5. Dom José Freire Falcão, Arcebispo emérito de Brasília;
6. Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo;
7. Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo;
8. Dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida;
9. Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo emérito de Belo Horizonte;
10. Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro.






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sexta-feira, fevereiro 21, 2014

“O SACRAMENTO DA RECONCILIAÇÃO”. Papa Francisco

Através dos Sacramentos da iniciação cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Agora, todos sabemos disso, nós levamos essa vida “em vasos de barro” (2 Cor 4, 7), ainda estamos sujeitos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, podemos até mesmo perder a nova vida. 

Por isto o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também através dos próprios membros, em particular o Sacramento da reconciliação e aquele da Unção dos enfermos, que podem ser unidos sob o nome de “Sacramentos da cura”. 


 O ícone bíblico que o exprime melhor, em sua profunda ligação, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela ao mesmo tempo médico das almas e dos corpos 
(cfr Mc 2,1-12 // Mt 9,1-8; Lc 5,17-26).

Pope Francis: "Go to confession!"


O Sacramento da Penitência e da Reconciliação surge diretamente do mistério pascal. De fato, na própria noite de Páscoa, o Senhor aparece aos discípulos, fechados no cenáculo, e depois de ter dirigido a eles a saudação “A paz esteja convosco”, soprou sobre eles e disse: “Recebeis o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,21-23). 

Esta passagem nos revela a dinâmica mais profunda que está contida neste Sacramento. Antes de tudo, o fato de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão se pede, se pede a uma outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. 


 Em segundo lugar, recorda-nos que somente se nos deixamos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos podemos estar verdadeiramente na paz. E todos sentimos isso no coração quando vamos confessar-nos, com um peso na alma, um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus estamos em paz, com aquela paz da alma tão bela que somente Jesus pode dar, somente Ele.
No tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública – porque no início se fazia publicamente – àquela pessoal, à forma reservada da Confissão. Isto, porém, não deve fazer perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital. De fato, é a comunidade cristã o lugar no qual se torna presente o Espírito, o qual renova os corações no amor de Deus e faz de todos os irmãos uma só coisa, em Cristo Jesus. 

EIS ENTÃO PORQUE NÃO BASTA PEDIR PERDÃO AO SENHOR NA PRÓPRIA MENTE E NO PRÓPRIO CORAÇÃO, MAS É NECESSÁRIO CONFESSAR HUMILDEMENTE E COM CONFIANÇA OS PRÓPRIOS PECADOS AO MINISTRO DA IGREJA.

Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa somente Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um de seus membros, que escuta comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com ele, que o encoraja e o acompanha no caminho de conversão e amadurecimento cristão. 

Alguém pode dizer: eu me confesso somente com Deus. Sim, você pode dizer a Deus “perdoa-me”, e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isto é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. “Mas, padre, eu me envergonho…”. Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é saudável. 

Quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos que é um “sem vergonha”: um “sin verguenza”. Mas também a vergonha faz bem, porque nos faz mais humildes e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e em nome de Deus perdoa. Também do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que são tão pesadas no meu coração. E alguém sente que desabafa diante de Deus, com a Igreja, com o irmão. Não ter medo da Confissão! 

Alguém, quando está na fila para confessar-se, sente todas estas coisas, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sai livre, grande, belo, perdoado, purificado, feliz. É este o bonito da Confissão! Eu gostaria de perguntar-vos – mas não digam em voz alta, cada um responda no seu coração – quando foi a última vez que você se confessou? Cada um pense… São dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga a si mesmo: quando foi a última vez que eu me confessei? 

E se passou tanto tempo, não perder um dia a mais, vá, que o sacerdote será bom. É Jesus ali, e Jesus é o melhor dos sacerdotes, Jesus te recebe, recebe-te com tanto amor. Seja corajoso e vá à Confissão!


Recordemos aquela bela parábola do filho que foi embora de sua casa com o seu dinheiro da herança; gastou todo o dinheiro e depois quando não tinha mais nada decidiu voltar pra casa, não como filho, mas como servo. Tanta culpa tinha em seu coração e tanta vergonha. A surpresa foi que quando começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar, abraçou-o, beijou-o e fez festa. 

Mas eu vos digo: toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa! Vamos adiante neste caminho. Que Deus vos abençoe!

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

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