segunda-feira, fevereiro 27, 2017

SIGNIFICADO E DÚVIDAS QUARESMA



Significado e dúvidas da Quaresma


O QUE É A QUARESMA?

Chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o batismo.

DESDE QUANDO SE VIVE A QUARESMA?

Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-la no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos em um princípio, nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.


POR QUE A QUARESMA NA IGREJA CATÓLICA?

“A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao Mistério de Jesus no deserto”
(n. 540).

QUAL É, PORTANTO, O ESPÍRITO DA QUARESMA?

Deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.

O QUE É A PENITÊNCIA?

A penitência, tradução latina da palavra grega que na Bíblia significa a conversão (literalmente a mudança do espírito) do pecador, designa todo um conjunto de atos interiores e exteriores dirigidos a reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador.

Literalmente mudança de vida, se diz do ato do pecador que volta para Deus depois de haver estado longe Dele, ou do incrédulo que alcança a fé.

QUE MANIFESTAÇÕES TEM A PENITÊNCIA? 

“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobre tudo em três formas: o JEJUM, a oração, a missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e com relação aos demais. Junto a purificação radical operada pelo Batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade “porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro, 4,8.).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1434).

SOMOS OBRIGADOS A FAZER PENITÊNCIA?

“Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobre tudo, observando o jejum e a abstinência.” (Código de Direito Canônico, c. 1249).

QUAIS SÃO OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS?

“Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma.” Código de Direito Canônico, c. 1250).

QUE DEVE SE FAZER TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO?

Em lembrança do dia em que Jesus morreu na Santa Cruz, “todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve se fazer a abstinência de carne, ou de outro alimento que seja determinado pela Conferência Episcopal; jejum e abstinência se guardarão na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.” (Código de Direito Canônico, c. 1251).

QUANDO É A QUARESMA?

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina no Domingo de Páscoa . Todo este período forma uma unidade, podendo-se distinguir os seguintes elementos:

A Quarta-feira de Cinzas.

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor.

A Missa Crismal.

O QUE É QUARTA-FEIRA DE CINZAS?

É um princípio da Quaresma; um dia especialmente penitencial, em que manifestamos nosso desejo pessoal de CONVERSÃO a Deus.

Quando vamos aos templos em que nos impõem as cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho.

QUANDO TEVE ORIGEM A PRÁTICA DAS CINZAS?

A origem da imposição da cinza pertence a estrutura da penitência canônica. Começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X. A liturgia atual conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.

QUANDO SE ABENÇOA E SE IMPÕEM A CINZA?

A benção e a imposição da cinza tem lugar dentro da Missa, após a homilia; embora em circunstâncias especiais, se pode fazer dentro de uma celebração da Palavra. As formas de imposição da cinza se inspiram na Escritura: Gn, 3, 19 e Mc 1, 15.

DE ONDE PROVEM A CINZA? 

A cinza procede dos ramos abençoados no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que se remonta ao século XII. A forma de benção faz relação a condição pecadora de quem a recebeu.


QUAL É O SIMBOLISMO DA CINZA? 

O simbolismo da cinza é o seguinte:

Condição fraca do homem, que caminha para a morte;

Situação pecadora do homem;

Oração e súplica ardente para que o Senhor os ajude; Ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo;

A QUE NOS CONVIDA A IGREJA NA QUARESMA?

A Igreja persiste nos convidando a fazer deste tempo como um retiro espiritual em que o esforço de meditação e de oração deve ser sustentado por um esforço de mortificação pessoal cuja medida, a partir deste mínimo, permanece a liberdade e generosidade de cada um.

O QUE DEVE SE CONTINUAR VIVENDO NA QUARESMA?

Se vive bem a Quaresma, deverá se alcançar uma autêntica e profunda CONVERSÃO pessoal, preparando-nos, deste modo, para a maior festa do ano: o Domingo da Ressurreição do Senhor.

O QUE É A CONVERSÃO? 

Converter-se é reconciliar-se com Deus, apartar-se do mal, para estabelecer a amizade com o Criador.
Supõe e inclui deixar o arrependimento e a Confissão (ver o Guia da Confissão) de todos e cada um de nossos pecados.
Uma vez em graça (sem consciência de pecado mortal), temos de mudar desde dentro (em atitudes) tudo aquilo que não agrada a Deus.

POR QUE SE DIZ QUE A QUARESMA É UM “TEMPO FORTE” E UM “TEMPO PENITENCIAL?

“Os tempos e os dias de penitência ao largo do ano litúrgico (o tempo de QUARESMA, cada Sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, o jejum, a comunhão cristã de bens (obras caritativas e missionárias).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1438)

COMO CONCRETIZAR MEU DESEJO DE CONVERSÃO? 

De diversas maneiras, mas sempre realizando obras de conversão, como , por exemplo:
Ir ao Sacramento da Reconciliação (Sacramento da Penitência ou Confissão) e fazer uma boa confissão: clara, concisa, concreta e completa.

Superar as divisões, perdoando e crescer em espírito fraterno.

Praticando as Obras de Misericórdia.

QUAIS SÃO AS OBRAS DE MISERICÓRDIA?

As Obras de Misericórdia espirituais são:

Ensinar ao que não sabe.

Dar bons conselhos ao que necessita.

Corrigir ao que erra.

Perdoar as injúrias.

Consolar ao triste.

Sofrer com paciência as adversidades e fraquezas do próximo.

Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos

As Obras de Misericórdia corporais são:

Visitar ao enfermo.

Dar de comer ao faminto.

Dar de beber ao sedento.

Socorrer ao cativo.

Vestir ao desnudo.

Dar abrigo ao peregrino.

Enterrar a os mortos.

QUE OBRIGAÇÕES TEM UM CATÓLICO EM QUARESMA?

Tem que cumprir com o preceito do JEJUM e a ABSTINÊNCIA, assim como a CONFISSÃO e COMUNHÃO anual.

EM QUE CONSISTE O JEJUM? 

O JEJUM consiste em fazer uma única refeição ao dia, sendo que se pode comer algo menos que o de costume pela manhã e a noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo em caso de doença.

A QUEM SE OBRIGA O JEJUM? 

Se obriga a viver a lei do jejum, todos os maiores de idade. (cfr. CIC, c. 1252).

O QUE É A ABSTINÊNCIA? 

Se chama abstinência a proibição de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados).

A QUEM SE OBRIGA A ABSTINÊNCIA? 

A lei da abstinência se obriga aos que já tem catorze anos.(cfr. CIC, c. 1252).

PODE SER MUDADA A PRÁTICA DA ABSTINÊNCIA?

“A Conferência Episcopal pode determinar com mais detalhes o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substituirmos em parte por outras formas de penitência, sobre tudo por obras de caridade e práticas de piedade.” (Código de Direito Canônico, c. 1253).

O QUE IMPORTA DE VERDADE NO JEJUM E NA ABSTINÊNCIA?

Deve se cuidar no viver o jejum ou a abstinência com alguns mínimos, mas como uma maneira concreta como a que nossa Santa Mãe Igreja nos ajuda a crescer no verdadeiro espírito de penitência.

QUE ASPECTOS PASTORAIS CONVÊM RESSALTAR NA QUARESMA?

O tempo de Quaresma é um tempo litúrgico forte, em que toda a Igreja se prepara para a celebração das festas pascais. A Páscoa do Senhor, o Batismo e o convite a reconciliação, mediante o Sacramento da Penitência, são suas grandes coordenadas.

Se sugere utilizar como meios de ação pastoral:

A catequese do Mistério Pascal e dos sacramentos;

A exposição e celebração abundante da Palavra de Deus, como aconselha vivamente o cânon. 767, & 3, 3).

A participação, se possível diária, na liturgia quaresmal, nas celebrações penitenciais e, sobre tudo, na recepção do sacramento da penitência: “são momentos fortes na prática penitencial da Igreja” (CEC, n. 1438), fazendo notar que “junto as conseqüências sociais do pecado, detesta mesmo o pecado enquanto é ofensa a Deus”;
O desenvolvimento dos exercícios espirituais, as peregrinações, como penitência assinam, as privações voluntárias como o jejum, a caridade, as obras beneficentes e missionários.

Fonte:http://afeexplicada.wordpress.com/2012/02/22/29-perguntas-sobre-a-quaresma/
http://www.arcanjomiguel.net
Clevinho Maia (Combatentes de São Miguel Arcanjo)



sábado, fevereiro 25, 2017

VIII DOMINGO DO TEMPO COMUM




O desejo de ser livre e viver livre parecem irrealizáveis no coração humano. Sempre estamos presos a alguma coisa que promove preocupação. “Pre-ocupar-se” com alguma coisa é um jeito de ficar preso a uma ocupação que ainda não existe e, por isso, ameaça-nos com o inesperado, com possibilidades de não dar certo. É assim que podemos entender o convite do Evangelho deste Domingo: não se aprisionar em nada, nem no dinheiro e nem naquilo que ainda não nos pertence, o futuro.

A proposta do Evangelho de hoje foi tomada quase somente na sua mensagem poética, de lírios no campo e aves voando nos céus. Muito pouco se percebe tratar-se de uma proposta de não alienação; de não ficar alienado no dinheiro, na moda das roupas, no prazer da gula e nas preocupações com o dia de amanhã. Acima de tudo isto está o Reino de Deus. Quem consegue viver seu dia de cada vez encontra-se com a paz interior e evita a ansiedade existencial. Em resumo: é uma pessoa livre e libertada de tudo. Para Jesus, livre é a pessoa que confia sua vida a Deus, a este Deus que é uma Mãe que jamais esquece seus filhos e filhas amados (1ª leitura).

Jesus liga sua proposta de liberdade à confiança em Deus. O Pai celeste cuida dos lírios que nascem e desaparecem em pouco tempo; cuida das aves e as alimenta para que não morram (Evangelho). O salmista descreve Deus como protetor, como rocha, como local onde a alma encontra repouso (salmo responsorial). Encontrar repouso, encontrar a paz interior confronta-se com o início do Evangelho, quando Jesus diz que não se pode servir a dois senhores porque acontecerá uma relação de amor e ódio (Evangelho). Servir, em grego (língua que foi escrita o Evangelho) tem o sentido de “se fazer escravo”. O ensinamento de Jesus tem a ver com a questão de se tornar escravo do dinheiro por se tratar de uma idolatria escravizante relacionada às preocupações que acontecem com quem lida com dinheiro. Ora, toda a perícope evangélica deste 8DTC-A repete três vezes um ensinamento de Jesus: “não se preocupar”. Isto é impossível a quem se prende ao dinheiro, porque ele aliena e algema a vida de quem se torna escravo do dinheiro.

Para que não sejamos servidores (escravos) do dinheiro, Paulo nos aconselha a nos tornar “servidores de Cristo” (2ª leitura). É uma proposta de vida bem diferente daquela de quem se faz escravo do dinheiro. Paulo convida a ser servidor, tornando-se administrador dos mistérios de Deus. Paulo fala isso de experiência própria, dedicando totalmente sua vida ao Evangelho, a ponto de nem mesmo se preocupar com os julgamentos que fazem dele. Em Jesus Cristo, vivendo o Evangelho, tornou-se uma pessoa totalmente livre e libertada.

Tudo isso soa como um grande desafio aos nossos ouvidos e nem sempre somos capazes de dimensionar que alcance isto poderia ter em nossas vidas. O que aconteceria conosco se fossemos capazes de confiar seriamente nas palavras de Jesus, especialmente aquela que pede para não se preocupar tanto com o que ainda poderá acontecer? Para Jesus, somente uma coisa é importante: “buscai o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Evangelho).




Jesus faz um convite complicado para os dias atuais. Como não pensar nas dificuldades que promovem as preocupações com comida, roupa, escola, contas no banco, dívidas... Vivemos num momento histórico e numa sociedade que criou necessidades para serem satisfeitas a custas do dinheiro. Necessidades necessárias para se sobreviver, não tenhamos dúvida disso. Mas são necessidades que constantemente ameaçam nossa saúde devido ao alto grau de preocupações que promovem em nós. É justamente sobre isso que Jesus fala no dia de hoje: “não vos preocupeis”. Este não se preocupar é um segredo que Jesus revela a cada um de nós.

Do ponto de vista psicológico, a experiência demonstra cada vez mais que viver mergulhado em preocupações é causa de doenças somatizantes e de psicopatologias, como é o caso da ansiedade generalizada. Com tais consequências, começamos a compreender que nosso modo de viver, envolvido em tantas preocupações, é mais doentio que saudável.

Isto é facilmente compreensível. — Mas como viver num contexto social como o nosso, que nos envolve em preocupações e mais preocupações? A orientação de Jesus é pela confiança em Deus. Uma confiança que dispensa algumas preocupações inúteis, como por exemplo, a moda. Basta ter o que vestir e com que se agasalhar; não há necessidade de estar na moda. Mas, isto é uma afronta à sociedade, que precisa vestir aquilo que é ditado pelo comércio da moda dos pés à cabeça. O importante é comer, ter um alimento saudável, mesmo que simples, mas isto e uma afronta á sociedade que precisa vender comidas de fast food e refrigerantes que nos adoecem sempre mais, como é o caso da obesidade. E assim, as preocupações nos invadem e nos consomem cada vez mais em troca de um mercado que precisa render lucros.

A confiança proposta por Jesus reside no modo simples de viver; viver com simplicidade. Sem sofisticações, sem exibicionismos. Na simplicidade existe uma fonte saudável da vida que precisamos aprender a beber cada dia mais.

(Francisco Régis)


Oração

Eu sei que cuidas de mim.
Sei que teu olhar me acompanha todos os dias
e a cada dia sinto tua mão acariciando minha vida.
Como sois bom comigo, meu Deus.
Hoje, tua Palavra te apresenta como uma mãe terna e carinhosa
que jamais esquece seu filho ou sua filha.
Como cuidas de mim.
Como te preocupas comigo,
cuidando para que nada falte em minha mesa,
na minha veste.
Fico encantado
ao lembrar que teus olhos me acompanham com alegria, que teus ouvidos ouvem minha preces e minhas súplicas, que tua mão sente meu corpo.
Vós sois o meu amparo,
vós sois a minha proteção.
Vós sois o meu Deus e meu Senhor.
Não tenho e não terei outro Deus, senão vós,
meu Pai e minha Mãe.




quinta-feira, fevereiro 23, 2017

PAPA: APOIOS PARA O SUDÃO DO SUL



Forte apelo do Papa, na audiência geral, para o Sudão do Sul, País devastado por um conflito que está pondo de joelhos uma população já esgotada pela carestia. Mais de 100 mil pessoas sofrem de fome, um milhão em risco e um milão e meio de refugiados, conforme denunciado pela ONU.

Ajudemos o Sudão do Sul, e não apenas por palavras. É forte o apelo do Papa para um país bem enraizado no seu coração, pelo qual tem mostrado preocupação e sofrimento. Uma terra devastada pela guerra, violência e carestia. Eis as palavras do Papa Francisco:

“Suscitam particular preocupação as dolorosas notícias que chegam do martirizado Sudão do Sul, onde ao conflito fratricida se junta agora a uma grave crise alimentar que condena à morte de fome milhões de pessoas, entre elas muitas crianças. Neste momento, é mais do que nunca necessário o empenho de todos a não limitar-se apenas em declarações, mas a tornar concretas as ajudas alimentares e a permitir que elas possam chegar às populações que sofrem. Que o Senhor sustente estes nossos irmãos e aqueles que trabalham para ajudá-los”.

Independente desde 2011, o Sudão do Sul em 2013 aprofundou mais uma vez numa guerra civil que, apesar dos acordos de paz, se reacendeu em julho passado entre os grupos que apoiam o presidente Salva Kiir e aqueles que estão ligados ao seu ex-presidente, Riek Machar, o primeiro do grupo étnico Dinka e o segundo da etnia Nuer. E o País entrou novamente numa espiral de "assassinatos deliberados de civis, violações e saques", como foi denunciado por organizações como a Amnesty International

Fonte: pt.radiovaticana.va


terça-feira, fevereiro 21, 2017

BEATOS FRANCISCO E JACINTA MARTO



Em 2017 dentro das comemorações dos 100 anos da aparição da Virgem Maria aos pastorinhos queremos lembrar os dois videntes que já estão beatificados e cuja festa é celebrada em 20 de fevereiro.



Jacinta de Jesus Marto (Aljustrel, Fátima, 11 de Março de 1910 — Lisboa, 20 de Fevereiro de 1920) foi uma dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917.

Biografia

Filha mais nova de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Jacinta era uma criança típica do Portugal rural da época. Como de início não frequentava a escola, Jacinta trabalhava como pastora em conjunto com o seu irmão Francisco Marto e a sua prima Lúcia dos Santos. Mais tarde, logo após as aparições na Cova da Iria e segundo as mensagens recebidas, por recomendação de Nossa Senhora entrou na escola primária. De acordo com as memórias da Irmã Lúcia, Jacinta era uma criança afectiva e muito afável e emocionalmente frágil.

Na sequência das aparições, os dois irmãos foram influenciados porque terão visto o inferno, durante a terceira aparição (em Julho de 1917). Deslumbrada com a triste sorte dos pecadores, na sua simplicidade, decide responder ao apelo da Virgem Maria e fazer penitência e sacrifício pela conversão dos pecadores.

As três crianças, mas particularmente Jacinta, praticavam mortificações e penitências. É possível que prolongados jejuns a tenham enfraquecido ao ponto de ter sucumbido à epidemia gerada pela pneumónica que varreu a Europa em 1918, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, esteve acolhida temporariamente no Orfanato de Nossa Senhora dos Milagres, na Rua da Estrela n.º 17, em Lisboa (atual Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, junto ao Jardim da Estrela), o qual foi fundado e dirigido pela Madre Maria da Purificação Godinho, acabando por falecer a 20 de fevereiro de 1920, no Hospital de Dona Estefânia da mesma cidade.

Jacinta Marto foi beatificada, juntamente com o seu irmão Francisco, pelo Papa João Paulo II a 13 de Maio de 2000; é a cristã mais nova não-mártir a ser beatificada. O seu dia festivo é 20 de fevereiro; no dia 11 de março de 2010 celebrou-se o Centenário do nascimento da Beata Jacinta Marto, com a audiência do Papa Bento XVI.




Francisco de Jesus Marto (Aljustrel, Fátima, 11 de Junho de 1908 — Ourém, 4 de Abril de 1919) foi um dos três pastorinhos que afirmou ter visto Nossa Senhora na Cova da Iria, entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917.

Biografia

Filho mais velho de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos, Francisco era uma criança típica do Portugal rural da época. Como não era obrigatório, ele não frequentava a escola e trabalhava como pastor em conjunto com a sua irmã Jacinta Marto e a sua prima Lúcia dos Santos. Após os eventos que viriam a ser conhecidos como as aparições de Fátima, Francisco ingressou no ensino primário, mas acabou por deixar de assistir às aulas.

De acordo com as memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito dado, mas calmo, e gostava de música, o qual mostrava habilidade no pífaro. Sendo muito independente nas opiniões, era, no entanto, pacificador, e mostrava-se muito respeitoso pelas pessoas. Conta a sua prima que até os animais não escapavam à sua caridade.

Na sequência das aparições marianas, o comportamento dos dois irmãos alterou-se e desde então Francisco passou a preferir rezar sozinho. Marcado pelas palavras de Nossa Senhora para "que não ofendam mais a Deus", ele retirava-se na solidão "para consolar Jesus pelos pecados do mundo".

As três crianças, particularmente o Francisco, tinham o costume de praticar mortificações, mas que Nossa Senhora numa das aparições pedira moderação. Contudo, como penitência, Francisco deixara de ir à escola e escondia-se para atenuar pelos pecadores. É possível que prolongados jejuns o tenham enfraquecido a ponto de sucumbir à epidemia gerada pela Gripe espanhola que varreu a Europa em 1918 (??), em consequência da Primeira Guerra Mundial. Ele acabou por falecer em casa em 1919.

Francisco e a irmã Jacinta foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 13 de Maio de 2000. O seu dia festivo é 20 de Fevereiro.

Fonte: wikipedia

Peregrinação de Padre Marcos ao Santuário de Fátima em outubro de 2016



segunda-feira, fevereiro 20, 2017

VII DOMINGO DO TEMPO COMUM



Se nós pertencemos a Cristo, se nós somos de Cristo e se o Espírito de Deus habita em nossos corpos, então não podemos padecer de uma doença muito comum neste tempo histórico pelo qual passa a humanidade. Falo da doença espiritual. Pense comigo: se o Espírito de Deus habita em nós, então deveríamos viver espiritualmente saudáveis, isto é, sem raiva, sem mágoa, sem ódio dentro da gente, sem irritações, sem ansiedades, e assim por diante. Por que convivemos com isso em nossas vidas? Porque damos mais atenção ao espírito do mundo — à sabedoria do mundo, como dizia Paulo, na 2ª leitura — que ao Espírito de Deus que habita em nós. Nossa vocação é para que sejamos santos, porque o Deus que habita em nós é santo. Foi o que ouvimos na 1ª leitura. A Palavra deste Domingo é uma Palavra que orienta como ter saúde espiritual, como ter um coração em paz, um coração pacificado: não cultivar o ódio contra ninguém, não ficar tramando vinganças dentro de nós, não guardar rancor ou mágoa do outro... não fazer nada disso. Em vez disso: amar o outro e amar a Deus.

Jesus, no Evangelho, é muito mais contundente: não apenas amar quem nos ama, porque disso cada um é capaz, diz Jesus, mas amar até mesmo os inimigos. Dois aspectos a respeito desse mandamento de Jesus. Um é a radicalidade de tomar isso ao pé da letra. Na Igreja, temos inúmeros exemplos de santos e santas, mas também de pessoas de nossos tempos que socorrem os inimigos e rezam pelos seus perseguidores. As guerras do Oriente Médio que envolve perseguição de cristãos contam casos e mais casos de ajuda a perseguidores. Mas, tem um segundo elemento: rezar pelos que nos perseguem e até ajudar os inimigos se for o caso. Isso tem relação com a saúde espiritual. O amor ama e não olha quem ama. Simplesmente ama e não distingue se o outro é ou não é amigo ou inimigo. Em termos práticos, isso significa que não devemos colocar o inimigo dentro de nós. Se o inimigo, se aquele que nos persegue, se aquele que quer o nosso mal entrar dentro da gente, então nós adoeceremos espiritualmente. Por isso, o segundo modo de amar os inimigos é não colocando ele dentro da gente.

Quando colocamos o inimigo dentro de nós, começamos a tramar vinganças, temos mágoas, todo tipo de sentimento que adoece nosso psicológico e adoece nossa vida espiritual. Jesus conclui o Evangelho de hoje com uma série de orientações que mostram o nosso diferencial cristão. Retribuir amor a quem nos ama qualquer um pode fazer. Retribuir uma saudação a quem nos saúda, qualquer um pode fazer, até mesmo quem vive longe de Deus. Para falar dessa normalidade, Jesus usa a palavra: “extraordinário”: — “o que fazeis de extraordinário?” Onde está o diferencial? Como cristão temos um diferencial em nosso comportamento, em nosso modo de pensar e nosso modo de nos relacionar com os outros. Quanto a isso, a proposta do Levítico (1ª leitura) é de ser santo porque o Pai é santo. A proposta do Evangelho é de ser perfeito porque o Pai é perfeito. Ambas dizem a mesma coisa: como cristão não nos contentamos com o normal, com o corriqueiro, porque sempre estamos em busca da santidade e da perfeição e esta se encontra no amor e na arte de amar. Amém!

Fonte: liturgia.pro































Somos hoje convidados a abraçar, sem reservas, a Nova Lei do Amor, tal qual nos transmitiu Jesus Cristo. Por ela, nos tornamos verdadeiros discípulos d’Aquele que nos amou até o fim.





sábado, fevereiro 18, 2017

ESTUDOS 05- POR QUE MUDA DA DATA DA PÁSCOA E DO CARNAVAL?



A data da Páscoa é móvel e muda todos os anos; e, em função dela são definidas as outras datas móveis do Calendário.

Os judeus celebravam a Páscoa segundo o que prescreve o livro do Êxodo, no capítulo 12, no dia 14 do mês de Nissan. Era a celebração da libertação da escravidão do Egito para a liberdade da Terra Prometida por Deus a Abraão. A Igreja católica celebra a Páscoa cristã, Ressurreição de Cristo, acompanhando de certa foram a data Páscoa judaica. 

Mas o calendário judeu era baseado na Lua, então a data da Páscoa cristã passou a ser móvel no calendário cristão, assim como as demais datas referentes à Páscoa, tanto na Igreja Católica como nas Igrejas Protestantes e Igrejas Ortodoxas.

O primeiro Concilio geral da Igreja, o de Nicéia, no ano 325, determinou que a Páscoa cristã seria celebrada no domingo seguinte à primeira Lua cheia após o equinócio da primavera do hemisfério Norte (21 de março); podendo ocorrer entre 22 de Março e 25 de Abril.

Em astronomia, equinócio é definido como um dos dois momentos em que o Sol, em sua órbita, vista da Terra, cruza o plano do equador celeste. Os equinócios acontecem em março e setembro, e são as duas ocasiões em que o dia e a noite têm duração igual.

No hemisfério norte o equinócio da primavera ocorre no dia 20 de março, e o equinócio de outono ocorre no dia 23 de setembro. Estas datas marcam o início das respectivas estações do ano neste hemisfério. No hemisfério sul é o contrário, o equinócio da primavera ocorre no dia 23 de setembro, e o equinócio de outono ocorre no 20 de março.

Neste ano (2008) a lua cheia acontece no dia 21 de março, então a Páscoa será no dia 23 de março, que é o primeiro domingo após a lua cheia. No ano de 2007 a Páscoa foi em 7 abril e no ano de 2009 será em 12 de abril.

A Páscoa é assim um feriado móvel e que serve de referência para outras datas.

As datas móveis que dependem da Páscoa são:

Terça-feira de Carnaval – quarenta e sete dias antes da Páscoa. Por a terça-feira de Carnaval neste ano de 2008 será no dia 5 de fevereiro.

Quaresma – Inicia na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Ramos (uma semana antes da Páscoa).

Sexta-feira Santa – a sexta-feira imediatamente anterior Sábado da Solene Vigília Pascal – o sábado de véspera Pentecostes – o oitavo domingo após a Páscoa.

Corpus Christi ou Corpo de Deus – a quinta-feira imediatamente após o Pentecostes.

Veja as datas da Páscoa, 2008-2020

2008: 23 de Março (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)

2009: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)

2010: 4 de Abril

2011: 24 de Abril

2012: 8 de Abril (Igrejas Ocidentais); 15 de Abril (Igrejas Orientais)

2013: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)

2014: 20 de Abril

2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)

2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)

2017: 16 de Abril

2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)

2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)

2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais) 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br
Texto de 2008

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

PAPA FRANCISCO: MENSAGEM PARA A QUARESMA 2017



Publicamos a seguir o texto integral da Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma 2017, sobre o tema "A Palavra é um dom. O outro é um dom":


Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro de 2016.

Festa do Evangelista São Lucas

FRANCISCO


terça-feira, fevereiro 14, 2017

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM



Os discípulos de Jesus são convidados a viver na dinâmica do “Reino”, isto é, a acolher com alegria e entusiasmo o projeto de salvação que Deus quis oferecer aos homens e a percorrer, sem desfalecer, num espírito de total adesão, o caminho que conduz à vida plena.


Cumprir um conjunto de regras externas não assegura, automaticamente, a salvação, nem garante o acesso à vida eterna; mas, o acesso à vida em plenitude passa por uma adesão total (com a mente, com o coração, com a vida) às propostas de Deus. Os nossos comportamentos externos têm de resultar, não do medo ou do calculismo, mas de uma verdadeira atitude interior de adesão a Deus e às suas propostas. É isso que se passa na minha vida? Os “mandamentos” são, para mim, princípios sagrados que eu tenho de cumprir, mecanicamente, sob pena de receber castigos (o maior dos quais será o “inferno”), ou são indicações que me ajudam a potenciar a minha relação com Deus e a não me desviar do caminho que conduz à vida? O cumprimento das leis (de Deus ou da Igreja) é, para mim, uma obrigação que resulta do medo, ou o resultado lógico da opção que eu fiz por Deus e pelo “Reino”?

“Não matar”, é, segundo Jesus, evitar tudo aquilo que cause dano ao meu irmão. Tenho consciência de que posso “matar” com certas atitudes de egoísmo, de prepotência, de autoritarismo, de injustiça, de indiferença, de intolerância, de calúnia e má língua que magoam o outro, que destroem a sua dignidade, o seu bem estar, as suas relações, a sua paz? Tenho consciência que brincar com a dignidade do meu irmão, ofendê-lo, inventar caminhos tortuosos para o desacreditar ou desmoralizar é um crime contra o irmão? Tenho consciência que ignorar o sofrimento de alguém, ficar indiferente a quem necessita de um gesto de bondade, de misericórdia, de reconciliação, é assassinar a vida?

Não podemos deixar, nunca, que as leis (mesmo que sejam leis muito “sagradas”) se transformem num absoluto ou que contribuam para escravizar o homem. As leis, os “mandamentos”, devem ser apenas “sinais” indicadores desse caminho que conduz à vida plena; mas o que é verdadeiramente importante, é o homem que caminha na história, com os seus defeitos e fracassos, em direção à felicidade e à vida definitiva.











Voluntárias paroquianas se apresentam para trabalhar no futuro Centro Pastoral Franco e Giuliana Urany