sexta-feira, julho 21, 2017

MARIA MADALENA, APÓSTOLA DA ESPERANÇA




A Esperança cristã – Maria Madalena, apóstola da Esperança

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Nestas semanas a nossa reflexão se move, por assim dizer, na órbita do mistério pascal. Hoje encontramos alguém que, de acordo com os Evangelhos, foi a primeira pessoa a ver Jesus ressuscitado: Maria Madalena. Havia terminado o descanso de sábado. No dia da paixão não tinha havido tempo para completar os ritos funerários; por isso, naquele amanhecer cheio de tristeza, as mulheres vão ao sepulcro de Jesus com unguentos perfumados. A primeira a chegar é ela: Maria Madalena, uma das discípulos que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, mantendo-se a serviço da Igreja nascente. Em seu caminho para o túmulo se reflete a lealdade de muitas mulheres que dedicam anos indo ao cemitério, em memória de alguém que não está mais entre nós. Os laços mais autênticos não são quebrados até mesmo por morte: há aqueles que continuam a amar, mesmo se o se a pessoa amada se foi para sempre.

O Evangelho (cf. Jo 20,1-2.11-18) descreve Maria Madalena colocando logo em evidência que ela não era uma mulher entusiasmo fácil. De fato, após a primeira visita ao túmulo, ela volta decepcionada para lugar onde os discípulos estavam escondidos; relatos de que a pedra foi movida da entrada do sepulcro, e sua primeira opção é a mais simples que pode ser formulada: alguém deve ter roubado o corpo de Jesus. Assim, o primeiro anúncio que Maria traz não é o da ressurreição, mas de um roubo de autores desconhecidos, enquanto toda Jerusalém estava dormindo.

Em seguida, os Evangelhos falam de uma segunda viagem da Madalena ao túmulo de Jesus. Ela era teimosa! Ela foi, ela voltou … porque não estava convencida! Desta vez, o seu passo é lento, muito pesado. Maria sofre duplamente: em primeiro lugar pela morte de Jesus, e depois pelo desaparecimento inexplicável de seu corpo.

É enquanto ela está inclinada perto da sepultura, com os olhos cheios de lágrimas, que Deus a surpreende da maneira mais inesperada. O evangelista João enfatiza como era persistente sua cegueira: não nota a presença de dois anjos que a interrogam, e nem mesmo desconfiado ao ver o homem atrás dela, quem ela acredita ser um jardineiro. Mas descobre o acontecimento mais marcante da história humana quando finalmente é chamada pelo seu nome: “Maria” (V. 16).

Como é belo pensar que a primeira aparição de Cristo ressuscitado – de acordo com os Evangelhos – tenha ocorrido de forma tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e decepção, e que se comove por nós, e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Ao redor de Jesus, existem muitas pessoas que buscam a Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há em primeiro lugar Deus que se preocupa com nossas vida, que a quer levantar, e para fazer isso nos chama pelo nome, reconhecendo o rosto pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra.

Cada um de nós é uma história de amor de Deus. Cada um de nós é chamado, por Deus, pelo próprio nome: nos conhece pelo nome, nos olha, nos espera, nos perdoa, é paciente conosco. É verdade ou não é verdade? Cada um de nós faz esta experiência.

E Jesus a chama: “Maria!”, a revolução de sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ecoa no jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos nos descrevem a felicidade de Maria: a ressurreição de Jesus não é umaalegria dada com conta-gotas, mas uma cascata que afeta toda a vida.

A vida cristã não é tecida com a felicidade suave, mas de ondas que transformam tudo. Tentem pensar também vocês neste instante, com a bagagem de decepção e derrota que cada um de nós carrega em seu coração, que há um Deus próximo de nós, que nos chama pelo nome e nos diz: “Levanta-te, pare de chorar, porque Eu vim para libertá-lo “. E isso é belo.

Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdure a morte, tristeza, ódio, a destruição moral de pessoas … Nosso Deus não é inerte, mas o nosso Deus – permito-me a palavra – é um sonhador: sonha a transformação do mundo e realizou no mistério da Ressurreição.

Maria gostaria de abraçar o seu Senhor, mas Ele está agora orientado ao Pai celeste, enquanto ela é enviada a levar o anúncio aos irmãos. E assim a mulher, que antes de conhecer Jesus estava em poder do maligno (cf. Lc 8,2), agora se tornou uma apóstola da nova e maior esperança.

A sua intercessão nos ajude também a viver esta experiência: na hora do pranto, na hora do abandono, ouvir Jesus ressuscitado que nos chama pelo nome, e com o coração cheio de alegria ir e anunciar: “Eu vi o Senhor “(v. 18). Eu mudei de vida porque eu vi o Senhor! Agora sou diferente, sou uma outra pessoa. Eu mudei porque eu vi o Senhor. Esta é a nossa força e esta é a nossa esperança. Obrigado.

Papa Francisco , em 17 de maio de 2017 




quinta-feira, julho 20, 2017

PAPA FRANCISCO: CUIDADO QUE SE DEVE TER PARA COM A AMIZADE



“É um mistério a paciência de Deus, como também é necessária a paciência para forjar uma boa amizade entre duas pessoas. Tempo e paciência.”

O Papa Francisco confessou em uma recente entrevista que se sentiu por pessoas que se apresentaram como amigos seus mas, possivelmente, ele não tenha visto mais que uma ou duas vezes na vida.

Assim o afirmou o Santo Padre em uma entrevista com o jornalista evangélico Marcelo Figueroa de Rádio Milenium de Buenos Aires (Argentina) que foi difundida no domingo, 13 de setembro, e que fora realizada na Casa Santa Marta onde reside o Pontífice.

Ao ser perguntado sobre a amizade por Figueroa, o Pontífice disse que existe no mundo uma tendência a ter amigos por interesse “vejamos que proveito posso tirar de me aproximar dessa pessoa e fazer-me amigo dela”.

“Isso me dói. E eu me senti usado por pessoas que se apresentaram como amigos e que eu possivelmente não tinha visto mais que uma ou duas vezes na vida, e usaram isso para seu proveito. Mas é uma experiência pela qual todos passamos, a amizade utilitária”.

O Papa explicou que “a amizade é um acompanhar a vida do outro”.

“Em geral as verdadeiras amizades, não se explicitam, dão-se e vão como cultivando-se. A tal ponto que a outra pessoa já entrou em minha vida como preocupação, como bom desejo, como sã curiosidade de saber como vai, como vai a sua família, seus filhos É dizer que alguém vai entrando”.

O Santo Padre disse logo que “outra característica para distinguir a boa amizade de outras formas que são chamadas de amizade, mas na verdade são companheirismo, etc. É notar que com um amigo, mesmo quando você não o vê durante muito tempo, quando o encontra, e às vezes passam meses ou até um ano, você sente como se te tivesse visto ontem, conectam num instante. É uma característica muito humana da amizade”.

Diante da pergunta sobre o sentido profundo da amizade como Vigário de Cristo na terra, o Papa comenta que “nunca tive tantos ‘amigos’ entre aspas, como agora. Todos são amigos do Papa. A amizade é algo muito sagrado. A Bíblia diz: ‘tenha um ou dois amigos’”.

“Antes de considerar um amigo, deixe que o tempo o prove, veja como reage diante de você. E é o que aconteceu em nossa história. Você evangélico, eu católico e trabalhando juntos por Jesus. Mas não só funcionalmente, mas esta amizade foi dando-se e também envolveu a sua mulher, seus filhos”, disse o Papa ao jornalista recordando a sua longa relação de amizade com Figueroa, que o conhece desde que era bispo em Buenos Aires.

Na amizade de ambos “também houve momentos escuros. Não é certo? Como quando você teve que passar o túnel da incerteza que te dá uma Doença. Confesso-te, eu sentia a necessidade de estar perto de ti, da sua mulher, dos seus filhos. Porque um amigo não é um conhecido, alguém com quem você apenas goza de um bom momento de conversa”.

O Santo Padre ressaltou que “a amizade é algo profundo. Eu acredito que Jesus quis que isto se desse. Indo além da sua piada de que você é ‘minha ovelha protestante’, está essa aproximação humana de poder falar de coisas comuns com profundidade”.

Sobre a dimensão espiritual da amizade de Deus com o homem, o Papa Francisco disse que a atitude do Senhor “está repleta de carinho paternal, é obvio, mas também de amizade. Não sei como podemos interpretar isso de que Deus e Moisés falavam cara a cara, como um amigo fala com outro amigo. Quer dizer: Deus amigo de Moisés! Essa capacidade de lhe confiar tudo, seus planos, o que ia fazer…”.

Depois de fazer um repasse sobre a passagem bíblica de Caim e Abel e como esse episódio é uma mostra clara da “cultura da inimizade” em que muitas vezes está submerso o homem, o Santo Padre explicou a importância da paciência para que as pessoas sejam boas amigas.

“É um mistério a paciência de Deus, como também é necessária a paciência para forjar uma boa amizade entre duas pessoas. Tempo e paciência. Como dizem os árabes: ‘é preciso comer vários quilogramas de sal’. Muito tempo para falar, estar juntos, conhecer-se e aí se forja a amizade. Essa paciência na qual uma amizade é real, sólida. Porque nesse tempo passam muitas coisas que deve-se responder como amigo, ou como indiferente”.

Figueroa questionou ao Papa sobre a possibilidade de ser amigos de Jesus e como se pode viver essa amizade: “Ele o disse na Ceia: ‘já não vos chamo servos, e sim amigos’. O servo não sabe o que vai fazer seu senhor, o amigo sim. Ou seja conhece os segredos”.

“O que significa hoje –prosseguiu o Papa– é deixar que ele nos diga amigo. Porque frente à palavra de Jesus que te diz amigo. Ou é um néscio, ou um desgraçado que não entendem o que significa, ou abrem seu coração e entra-se nesse diálogo de amizade. Jesus aposta muito aí, porque poderia ter dito o metre, o doutor, poderia ter usado tantos títulos. Não, ‘vocês são meus amigos, eu os escolhi por amigos’”.


OVOS SOLIDÁRIOS




A segunda edição de lançamento da linha “Ovos Solidários” da Mantiqueira terá parte da renda obtida com sua venda revertida para o Pró Criança Cardíaca; instituição médica sem fins lucrativos, presidida pela cardiologista Rosa Célia Pimentel que ajuda a milhares de crianças com problemas cardíacos.

Em 2016 o projeto Ovos Solidários para Atletas da Mantiqueira foi dedicado aos atletas do Instituto Mangueira do Futuro e arrecadou R$ 27.000,00 que foram doados ao Instituto conforme registramos aqui.

Este ano nossa parceria é com o projeto Pró Criança Cardíaca, que ajuda crianças carentes com problemas no coração. Fundado em 1996, pela Dra. Rosa Célia Pimentel, o Projeto já atendeu mais de 24.000 crianças e realizou 1.200 procedimentos invasivos.

“Nós da Mantiqueira sabemos que, assim como o lindo trabalho da Dra. Rosa Célia e da equipe do Pró Criança, o ovo faz bem para a saúde e coração. Por este motivo, não poderíamos estar mais felizes em apoiar este Projeto que ajuda tantas crianças carentes” – declarou Leandro Pinto, Presidente do Grupo Mantiqueira.

Nesta edição, a embalagem do produto foi colorida pelas crianças atendidas pelo Pró Criança Cardíaca. Confira no vídeo a seguir como foi esta ação.

Os Ovos Solidários do Coração já podem ser encontrados nos principais supermercados do Rio de Janeiro e você também pode ajudar este lindo projeto com uma pequena mudança em seu carrinho de compras.




Fonte:http://www.ovosmantiqueira.com.br/ovos-solidarios-mantiqueira-2017/

quarta-feira, julho 19, 2017

O HOMEM DE AÇO,POR DOM FERNANDO RIFAN



A História é mestra da vida, já dizia Cícero. Por isso, suas lições são úteis e seu esquecimento, desastroso. 
Segundo resenha da revista Época (edição de 3/7/2017), acaba de ser lançada uma biografia de Koba Djugachvili, mais conhecido pelo apelido “Stálin” (homem de aço, em russo), intitulada “Stálin – Paradoxos do poder”, feita pelo americano Stephen Kotkin, da Universidade Princeton. “Não há personagem mais rico para um historiador que Stálin. Uma biografia dele é quase como contar a história do mundo”, diz Kotkin, especialista em história soviética, que esmiuçou, por 11 anos, os arquivos abertos depois da queda do regime comunista, em 1991.
Stálin fugiu de uma aldeia siberiana, para onde fora deportado, para se encontrar com o camarada Lênin, em Cracóvia, na Polônia e lhe dar pessoalmente um texto que havia escrito sobre marxismo e nacionalismo, que mereceu elogios de Lênin.
Segundo o historiador, nas três décadas em que ficou no poder (1924-1953), Stálin iniciou uma tirania com atrocidades indizíveis, perseguiu, executou e confinou oponentes em campos de concentração. Numa conta conservadora, foram mais de 4 milhões de vítimas. Esse cálculo inclui aqueles que morreram de fome – de 5 milhões a 7 milhões de pessoas – em consequência de políticas de coletivização agrícola que levaram ao colapso do abastecimento no país. Todo esse despotismo e tirania para implantar o comunismo na Rússia. 
Com sua visão das nações satélites, o ditador foi o artífice da União Soviética. 
Crente fervoroso quando jovem, estudou num seminário teológico ortodoxo. Lênin, líder comunista, foi o fiador da ascensão de Stálin dentro do partido e criou o cargo de secretário-geral expressamente para ele. 
Na concepção de Kotkin, a personalidade de Stálin foi de somenos importância para moldar o ditador que a conjuntura política da época. Ele renega a repisada tese psicanalítica de que a origem do tirano está nas surras que o pequeno Koba levava do pai e da infância difícil que viveu. “Não foi o indivíduo que criou a política, mas sim a política que criou o indivíduo. Aquele tipo de regime é que fez Stálin se tornar o personagem que foi”, diz ele. Em resumo, Stálin foi o que foi porque se dispôs a colocar em prática, como um homem de aço, as ideias comunistas (Revista Época, 3/7/2017: “A marca do demônio”). 
Que aprendam da história os que querem o comunismo em nome do progresso e do bem estar dos povos! “Ao princípio, o comunismo mostrou-se tal qual era em toda a sua perversidade; mas bem depressa percebeu que desse modo afastava de si os povos; e por isso mudou de tática e procura atrair as multidões com vários enganos, ocultando os seus desígnios sob a máscara de ideais, em si bons e atraentes... Não se deixem enganar! O comunismo é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã” (Pio XI, Enc. Div. Redempt. 57-58).

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, julho 18, 2017

OS MÁRTIRES DA REVOLUÇÃO FRANCESA



"...É um elenco tão vasto e tão admirável que hesitamos em destacar alguns dos episódios mais comoventes. não será injusto dar sequer a impressão de que queremos fixar um palmarès, um elenco de vencedores, quando em todas as páginas desse livro escrito com sangue brilham o heroísmo e a santidade? Padres, religiosos, religiosas, simples leigos, homens e mulheres, todas as condições sociais à mistura - mas certamente a maioria gente humilde, dente do povo -, foram às dezenas, às centenas, os que preferiam morrer a abjurar. Como escolher entre eles?

Vemos surgir, mais tarde tornadas ilustres pelo teatro e pelo cinema, as dezesseisCarmelitas de Compiègne, que morreram a 17 de julho de 1794, dez dias antes da queda de Robespierre. Presas por terem continuado a viver juntas após a supressão do seu convento, levadas perante o tribunal revolucionário, uma delas teve a presença de espírito bastante para perguntar a Fourquier-Tinville o que é que ele entendia pelo termo "fanatismo" com que as brindava. E que, tendo ele respondido: "O vosso fanatismo é a vossa tola paixão pelas estúpidas práticas religiosas", replicou: "Ó irmãs, ouviste bem? Somos condenadas pela nossa religião...Que felicidade morrer por nosso Deus!" Exatamente: com essas palavras, o acusador acabava de fazer mártires. Ao pé do cadafalso, elas renovaram os votos e entoaram o Veni Cretor, que só deixou de se ouvir quando a última foi morta...Página grandiosa, digna de ser exaltada, como foi, por Gertrud von le Fort e por Geoge Bernanos.

Mas terão sido menos sublimes essas sacramentinas de Bollène que, antes de morrer, agradeceram aos juízes e aos algozes, e uma das quais beijou o cadafalso antes de lá subir? Ou as ursulinas de Valenciennes, que cataram o Te Deum e rezaram pelos carrascos? Ou as Irmãs da Caridade de Arras, que chegaram à guilhotina cingidas nos Terços? E outras tantas que é impossível evocar sem emoção...

Entre os homens, quantos foram igualmente heroicos! Os beneditinos da Secção dos Gravilliers, que declararam com firmeza nunca terem deixado de celebrar a Missa clandestinamente... O padre Imbert, dominicano de Castres, que, condenado a morte, se recusou a subir à carroça, dizendo: "O meu Senhor Jesus ia a pé ao Calvário; reclamo para mim ir a pé"...Os recoletos e os carmelitas de Arras, que marcharam para o suplício cantando as Vésperas dos Defuntos...

No clero secular, as figuras exemplares são inúmeras. Aqui vemos o Cormaux, "o santo da Bretanha", que, no decurso do interrogatório, se recusa a dissimular a mínima parcela da verdade, fornecendo ele próprio argumentos aos acusadores... E van Cleemputte, que, se adianta a declarar que nunca deixou de fazer um apostolado clandestino... E Noel Pinot, que, conduzido para a morte, vestido de alva e casula por derrisão, recita ao pé do cadafalso o Introibo ad altare Dei da sua última Missa... E o encantador padre Salignac-Fénelon, fundador e diretor da Obra dos Padres Savonianos: condenado, ainda prega do alto da carroça que o leva ao suplício...

A lista seria interminável! E ainda teríamos de acrescentar dezenas de leigos que, com toda a evidência, morreram como testemunhas da Fé. Em Lyon, é o comerciante Auroze, que à pergunta "Es fanático?", responde: "Serei o que quiseres, mas o que sou é católico", e por isso foi condenado. Em Anjou, é um senhor chamado De Valfons, que, no início do interrogatório para identificação, acrescenta ao sobrenome os adjetivos "Católico, Apostólico, Romano"... Em Seine-et-Oise, é Marie Langlois, mocinha de vinte e dois anos, criada de lavoura, que, denunciada pelo pároco constitucional, troça visivelmente dos juízes e de suas perguntas ocas... Noutro lugar, é Elisabeth Minet, que reivindica altivamente a responsabilidade de uma enorme falta: durante todo o Terror, nunca deixou de distribuir estampas de Nossa Senhora...Alhures, é Geneviève Goyon, costureira de setenta e seis anos, que se recusa a entregar dois dominicanos que tem escondidos em sua casa, e morre com eles...

Já de há muito a História registrou a eficácia sobrenatural do martírio, o seu misterioso poder de resgate."

Daniel Rops, A Igreja das Revoluções (I). Quadrante, São Paulo, 2003, Pag. 70, 71.



Entre as 547 vítimas de “Rochefort” e os 64 sacerdotes beatificados como mártires da Revolução Francesa figura também o Frei Sebastião de Nancy.





segunda-feira, julho 17, 2017

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM



 Chuva que penetra a terra 

A Palavra que acabamos de ouvir fala do mistério da vida nascente, do mistério que faz a vida nova. Este mistério é proposto com três palavras que, por sua vez, tornam-se simbólicas. As palavras são: chuva, gemido e semente. As três palavras dizem que a vida nasce — e também que a vida se renova — não de fora para dentro, mas de dentro para fora. O nascimento da vida, a renovação da vida não é algo que começa do lado de fora, mas do lado de dentro, de modo escondido, algo um pouco misterioso que sem a gente ver e perceber produz uma nova existência. É como a semente jogada na terra que é irrigada com a água da chuva. A água penetra na terra e começa a fecundar a semente para que essa produza vida. Lá dentro da terra, sem a gente perceber, a vida vai germinando, tornando-se um broto, até que cresce e aparece uma planta, que dará flores ou frutos. Tudo aconteceu de modo meio escondido, no esconderijo do coração da terra.

 Dores de parto 

O mesmo processo acontece com a vida humana. A semente da vida é colocada no esconderijo do corpo feminino, corpo feito para gerar a vida, e lá, escondida de tudo e de todos, vai se formando e nascendo pouco a pouco. Mesmo que, hoje, quase todos nós já tenhamos visto um vídeo ou fotos sobre a gestação, vimos as fases do crescimento do feto, mas não vemos como a vida, como a essência da vida, vai se formando e constituindo a nova criatura. A formação da vida, a renovação da vida é algo divino, por isso é meio misterioso, entra no mistério de um segredo que não tocamos e nem vemos. Mas, o que importa para nossa reflexão é perceber que a vida nasce de dentro, do corpo da mulher, para fora. São Paulo, na 2ª leitura, fala das dores de parto, dos gemidos que a mulher grita no momento de dar à luz a uma nova vida. O nascer de uma vida nova vem acompanhado de dores, mas que são esquecidas pela alegria da vida que nasceu.


Semente que brota no coração 


Já falamos da chuva que fecunda a terra, falamos do gemido, que Paulo relaciona com as dores do parto e, agora, vamos concluir falando da semente. Também aqui, no esconderijo de cada semente existe uma vida a ser desabrochada, a ser gestada, a produzir mais vida. Jesus compara a Palavra do Evangelho a uma semente e compara o coração de cada um de nós a um terreno. Assim como a chuva cai e penetra na terra, assim a Palavra do Evangelho cai e penetra na vida, no coração de cada um de nós. Dentro de nós está a semente da vida nova que recebemos pelo Evangelho. Dentro de nós, temos tudo que precisamos para fazer nascer uma vida nova. Dentro de nós, escondido, no mistério de nosso coração, temos tudo que precisamos para viver de modo novo. A mudança de nossas vidas não vem de fora, mas de dentro do nosso coração. Mudança que conta com gemidos de dores, feitos de renúncias e novo modo de viver, mas que sempre produz flores e frutos de vida nova. Como você cultiva o terreno do seu coração; o terreno da sua vida interior? Amém!















sábado, julho 15, 2017

NOSSA SENHORA DO CARMO



Entre os santos de Deus está, em primeiro lugar, Maria, a mãe de Jesus (Mateus 2,1; Marcos 3,32; Lucas 2,48; João 19,25). É, portanto, com a Bíblia na mão, que louvamos Maria, chamando-a de bem-aventurada. Nós, cristãos católicos, veneramos Maria porque Deus a escolheu para ser a mãe de seu filho Jesus, nosso único redentor e salvador.


O culto a Maria está fundado na Palavra de Deus, que afirma: ”Isabel, cheia do Espírito Santo, exclamou: bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. Maria recebeu de Deus a plenitude da graça e, por esta razão, é saudada pelo Anjo como “cheia de graça” (Lucas 1,28). A mesma Maria, reconhecendo sua pequenez de serva agraciada por Deus, reconhece: “Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada”(Lucas 1,48). Durante toda a vida, até a última provação, quando Jesus seu filho morre na cruz diante dela, sua fé não vacilou. Maria não cessou de crer no cumprimento da Palavra, das promessas de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé (CIC 149).

Nós amamos o Filho de Maria, Jesus Cristo, ”autor e consumador da fé“ (Hebreus 12,2). Devemos , portanto, amar sua mãe, sua fiel discípula, a primeira que nele acreditou, dando sua adesão ao plano de Deus, quando o Anjo lhe anunciou que seria mãe do Salvador. A devoção à Virgem Maria é “intrínseca ao culto cristão” (Vaticano II – LG 62). Porém, o culto à Maria, mesmo sendo inteiramente singular, difere essencialmente do culto que se presta à Santíssima Trindade. Ao Deus Uno e Trino Pai, Filho e Espírito Santo, nós adoramos; enquanto a Maria, nós veneramos.

Este culto de veneração toda especial à Maria se justifica porque ela é reconhecida como “Mãe do meu Senhor” (Lucas 1,43). O concílio de Éfeso, no ano 431, reconheceu Maria como Mãe de Deus: Mãe de Jesus, Deus encarnado. Por isso, a igreja assim a venera com especial devoção. Para Maria damos inúmeros títulos: Nossa Senhora das Graças, de Lourdes, Aparecida, de Fátima, do Carmo, da Penha... Mas é sempre a mesma Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus que a Bíblia nos apresenta toda de Deus (Lucas 1,38), toda do povo (Lucas 1,39-56), orando com a Igreja (Atos 1,14). Foi Jesus que, morrendo na cruz, entregou sua mãe à Igreja, na pessoa do discípulo João que, junto com Maria, estava aos pés da cruz: “Eis aí tua mãe” (João 19,27). E o discípulo a levou para sua casa. A casa do discípulo, nós sabemos, é a comunidade, a Igreja. Maria é, portanto, presença materna na comunidade dos que acreditam em Jesus.

O exemplo de Maria não afasta de Jesus, pelo contrário, arrasta a humanidade para a adoração de seu filho: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5). Eis o que nos ensina Maria, é sua última palavra na Bíblia, é o seu testamento. Maria faz eco à Palavra do Pai, quando da transfiguração de Jesus: “Este é o meu filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz“ (Mateus 17,5). Concluímos que o culto à Maria é bíblico, nele não há idolatria. A devoção à Maria nos leva a Jesus, à comunhão com Ele. Jesus é a meta de toda devoção mariana. A alegria de Maria é que aceitemos e sigamos Jesus, como assim ela o fez. Maria não é o centro da fé, o centro é Jesus. Porém, Maria faz parte do centro da fé, porque faz parte, de forma única, da vida de Jesus. Mãe e Filho estão ligados no plano de Deus e não podem ser separados; não se pode reconhecer o Filho e não reconhecer a Mãe. Aceitemos a vontade de Deus, aceitemos o presente que Ele nos dá: MARIA.


Nossa Senhora do Carmo

No dia 16 de julho, celebra-se na Igreja Católica, a memória de Nossa Senhora do Carmo, um título da Virgem Maria que remonta ao século XIII, quando, no monte Carmelo, Palestina, começou a formar-se um grupo de eremitas. Estes, querendo imitar o exemplo do profeta Elias, reuniram-se ao redor de uma fonte chamada "fonte de Elias", e iniciaram um estilo de vida que, mais tarde, se estenderia ao mundo todo. Devido ao lugar onde nasceu, este grupo de ex-cruzados e eremitas foi chamado de "carmelitas". A história nos assegura que os eremitas construíram também uma pequena capela dedicada à Nossa Senhora que, mais tarde, e pela mesma circunstância de lugar, seria chamada de "Nossa Senhora do Carmo" ou " Nossa Senhora do Carmelo". Os carmelitas viram-se obrigados a emigrar para a Europa, para continuar a própria vida religiosa e lutar por seu espaço entre as várias ordens mendicantes. O título de Nossa Senhora do Carmo está unido ao "símbolo do escapulário".

A presença de Maria com o nome de Nossa Senhora do Carmo foi se espalhando por toda a Europa, e esta devoção foi levada para a América Latina, na primeira hora da evangelização. É difícil encontrar uma diocese latino-americana que não tenha, pelo menos, uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo. Não somente são igrejas matrizes ou catedrais dedicadas a Maria, sob o título de Nossa Senhora do Carmo, mas também lugarejos, capelas, oratórios etc. Isso prova como esta devoção saiu dos âmbitos restritos dos conventos carmelitanos e se tornou propriedade do povo e da Igreja Universal, como diz o Papa João Paulo II, em sua carta dirigida aos Superiores Gerais do "Carmelo da Antiga Observância e do Carmelo Descalço".

Esta devoção, enraizada no coração do povo, está sendo resgatada, e os devotos de Nossa Senhora do Carmo aumentam cada vez mais.


Texto: Cônego Pedro Carlos Cipolini - Doutor em Teologia (Mariologia); professor titular da PUC–Campinas; membro da Academia Marial de Aparecida




16 de julho

Nossa Senhora do Carmo

(memória facultativa)


A festa da Padroeira da Ordem Carmelita foi, inicialmente, a da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a 15 de agosto. Entretanto, entre 1376 e 1386, surgiu o costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, para comemorar a aprovação da regra pelo Papa Honório III, em 1226. Esse costume parece ter-se originado na Inglaterra. E a observância da festa foi fixada para o dia 16 de julho, que é também a data em que, segundo a tradição carmelita, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. No início do século XVII, ela se transformou em definitivo na “festa do escapulário”, e logo começou a ser celebrada também fora da Ordem e, em 1726, espalhou-se por toda a Igreja do Ocidente, por obra do Papa Bento XIII. No próprio da missa, o dia não se faz menção do escapulário ou da visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas. E o escapulário de Nossa Senhora é mencionado no prefácio especial usado pelos carmelitas, nesta festa.

A ordem dos carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas tem um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-Aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua História, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”. Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o livro das instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saia da terra e se dirigia para o Carmelo (cf. 1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus.



Expulsos pelos sarracenos no século XII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo Papa Honório III, se voltaram ao Ocidente, e aí na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: “Os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo”.



Os críticos consideram espúria, isto é, não autêntica, a bula de João XXIII em que se fala deste privilégio sabatino de ficar livres do inferno e do purgatório no primeiro sábado após a morte, mas muitos papas têm falado disso em sentido positivo. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”: entendido como veste Mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste; enquanto sacramental, extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam.


Nossa Senhora do Carmo

Ó Senhora do Carmo, revestido de vosso escapulário, eu vos peço que ele seja para mim sinal de vossa maternal proteção, em todas as necessidades, nos perigos e nas aflições da vida. Acompanhai-me com vossa intercessão, para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade, seguindo a Jesus e praticando Sua Palavra. Ajudai-me, ó mãe querida, para que, levando com devoção vosso santo Escapulário, mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele, na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amém.

sexta-feira, julho 14, 2017

SÃO CAMILO DE LELLIS


No marco da festa de São Camilo do Léllis, celebrada neste 14 de julho, apresentamos 7 coisas que talvez não conhecia sobre este grande santo padroeiro dos enfermos.
1. Seu nascimento foi considerado um milagre
A mãe de Camilo, quando estava grávida, sonhou que seu filho encabeçava um grupo em que todos levavam uma cruz vermelha no peito. Quando São Camilo nasceu, sua mãe tinha quase 60 anos e este fato foi considerado um milagre.
2. Seu pai foi mercenário
Seu pai era mercenário ao serviço da Espanha ou de Veneza e levou Camilo aos 18 anos para as batalhas.
3. Iniciou seus estudos aos 32 anos
Com 32 anos ingressou no Colégio Romano dos jesuítas, onde progrediu rapidamente nos estudos. Foi ordenado sacerdote em 26 de maio de 1584 na Basílica de São João de Latrão.
4. Conheceu São Felipe Neri
Diz-se que com o acompanhamento de São Felipe Neri, passou a suavizar seu caráter rude. Com os franciscanos capuchinhos, aprendeu a humildade e o amor ao sacrifício e, com os jesuítas, compreendeu a forte exigência da vida espiritual.
5. Rezava o Rosário todos os dias
Não só rezava o Rosário diariamente, como também incentivavam os outros a fazerem o mesmo. Celebrava a Missa todos os dias (algo que não era costume naquele tempo) e tinha uma grande piedade Eucarística.
6. Foi precursor da Cruz Vermelha
O Santo fundou aos Servos ou Ministros dos Enfermos e os enviou aos campos de batalha. Assim, 250 anos antes do nascimento da Cruz Vermelha Internacional, a “cruz vermelha” estampada nos hábitos dos filhos de São Camilo já brilhava nos campos de batalha como sinal de fraternidade.
7. Profetizou a sua morte
Profetizou que morreria em Roma na festa de São Boaventura (14 de julho segundo o antigo calendário litúrgico) e assim aconteceu. Seu corpo foi embalsamado e retiraram o seu coração, o qual ainda hoje se encontra em um relicário.


Da Vida de São Camilo, escrita por um companheiro seu 


(S. Cicatelli, Vita del P. Camillo de Lellis, Viterbo, 1615)
(Séc. XVII) 

Servindo o Senhor nos irmãos 

Começarei pela santa caridade, raiz de todas as virtudes e dom familiar a Camilo mais do que qualquer outro. Ele vivia sempre inflamado pelo fogo desta santa virtude, não só para com Deus, mas também para com o próximo, especialmente os doentes. Bastava vê-los para que se enchesse de ternura e se comovesse no mais íntimo do coração, a tal ponto que esquecia completamente todas as delícias, prazeres e afetos terrenos. Quando tratava de algum doente, parecia doar-se com tanto amor e compaixão que, de bom grado, tomaria sobre si toda doença, para aliviar-lhe as dores ou curar as enfermidades. 

Contemplava nos doentes, com tão sentida emoção, a pessoa de Cristo que, muitas vezes, quando lhes dava de comer, pensando serem outros cristos, chegava a pedir-lhes a graça e o perdão dos pecados. Mantinha-se diante deles com tanto respeito, como se estivesse realmente na presença do Senhor. De nada falava com mais freqüência e com mais fervor do que da santa caridade. O seu desejo era imprimi-la no coração de todos os homens. 

Para incutir em seus irmãos religiosos esta santa virtude, costumava recordar-lhes aquelas dulcíssimas palavras de Jesus Cristo: Eu estava doente e cuidastes de mim (Mt 25,36). Parecia que ele tinha estas palavras verdadeiramente gravadas em seu coração, tal era a freqüência com que as dizia e repetia. 

Camilo era um homem de tão grande caridade, que tinha piedade e compaixão não somente dos doentes e moribundos, mas também, de modo geral, de todos os outros pobres e miseráveis. Seu coração era tão cheio de bondade para com os indigentes, que costumava dizer: “Ainda que não se encontrassem pobres no mundo, os homens deveriam andar a procurá-los e desenterrá-los, para lhes fazerem o bem e praticar a misericórdia para com eles”.


quinta-feira, julho 13, 2017

MOTU PRÓPRIO- "OFERTA DA VIDA"



O Papa Francisco emitiu nesta terça-feira, 11 de Julho, uma Carta, Motu Próprio, sobre a oferta da vida. Intitula-se “Maiorem hac dilectionem”. Abre-se assim o caminho para a beatificação daqueles que, levados pela caridade, ofereceram a própria vida pelo próximo, aceitando livre e voluntariamente uma morte certa e prematura com o intento de seguir Jesus: “Ele deu a sua vida por nós, portanto, nós também devemos dar a vida pelos irmãos” – lê-se na no Motu Proprio.

É desde há séculos que as normas da Igreja Católica prevêem que se possa proceder à beatificação de um Servo de Deus essencialmente por três vias: que tenha passado pelo martírio; que tenha exercido as virtudes heróicas; e pelas chamadas “Casus excepit”. Esta última via é também denominada “beatificação equipolente”. Assim está explicitado no Código de Direito canónico de 1917, que retoma uma antiga tradição anterior a 1534. Foi o que estabeleceu o Papa Urbano VIII, o grande legislador das Causas dos Santos.

Estas três vias ainda hoje abertas e percorríveis, não parecem, todavia, ser suficientes para interpretar todos os casos possíveis de santidade canonizáveis. Com efeito, ultimamente, a Congregação para a Causa dos Santos perguntou-se se “não merecem também ser beatificados aqueles Servos de Deus que, inspirados no exemplo de Cristo, tenham livre e voluntariamente oferecido e imolado a própria vida pelos irmãos num supremo acto de caridade, que tenha sido causa directa da própria morte, pondo assim em prática a palavra do Senhor: “Ninguém tem um amor maior do que este: dar a própria vida pelos próprios amigos”.

Trata-se aqui, portanto, de introduzir, uma quarta via que pode ser chamada oferta da vida. Embora tendo alguns elementos semelhantes tanto à via do martírio como à da virtudes heróicas, trata-se de uma nova via que pretende valorizar um heróico testemunho cristão, e que até agora não tinha um procedimento específico, precisamente porque não entrava nem na casuística do martírio, nem na das virtudes heróicas.

Contudo, todas as vias da Santidade canonizada têm um denominador comum: a caridade, que é “o vínculo da perfeição”, “plenitude da lei” e “espírito de santidade”. Sendo assim, também a oferta da vida não pode prescindir da perfeição da caridade, que, neste caso, porém, não é o resultado duma prolongada, pronta e alegre repetição dos actos virtuosos, mas sim um único acto heróico que, pela sua radicalidade, irrevocabilidade e persistência até à morte, exprime plenamente a opção cristã.

A Congregação para as Causas dos Santos começou a debater esta temática no seu Congresso Ordinário em Janeiro de 2014. A questão foi seguidamente submetida ao Papa Francisco que aprovou e encorajou a aprofundá-la. Em Junho do ano passado a Congregação fez um Congresso específico sobre isto com 15 peritos, presidido por D. Enrico dal Cóvolo na sua qualidade de postulador. Seguiu-se uma sessão plenária de cardeais, bispos e membros da Congregação para as Causas dos Santos e as conclusões foram novamente submetidas ao Papa Francisco que pediu a redacção de um texto que é o agora Motu Próprio “Maiorem hac dilectionem”, assinado pelo Pontífice. O Papa pediu que este acto legislativo fosse promulgado mediante publicação no jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano” e que entrasse em vigor no mesmo dia da publicação, isto é hoje.

Para a correcta aplicação deste Motu Próprio é preciso referir-se à Instrução “Sanctorum Mater” de 17 de maio de 2007.

Com este Motu Próprio a doutrina da Igreja sobre a santidade canonizável e o procedimento tradicional da Igreja para a beatificação dos Servos de Deus não são, de modo nenhum alteradas, mas enriquecidas com novos horizontes e oportunidades para a edificação do povo de Deus que nos seus Santos vê o rosto de Cristo, a presença de Deus na história e a exemplar actuação do Evangelho – lê-se no “L’Osservatore Romano”. 





quarta-feira, julho 12, 2017

ORAÇÃO PELA PAZ



A situação do Brasil, em especial no Estado do Rio de Janeiro, está calamitosa, pela violência que se espalha vertiginosamente, pela difícil situação econômica, pela instabilidade e desordem social e pela falta de credibilidade nos poderes públicos. Sem soluções humanas em vista, nós, os Bispos do Estado do Rio de Janeiro, estamos convocando os fiéis católicos para uma intensa jornada de oração pela paz. De 3 a 14 de julho, rezaremos o Terço do Rosário de Nossa Senhora, Rainha da Paz, em praça pública, em 10 cidades diferentes, sempre às 11 h. Em Campos, a Diocese de Campos e a Administração Apostólica São João Maria Vianney se unirão na Praça do Santíssimo Salvador, no dia 13 próximo, amanhã, portanto, às 11 h. Você é nosso convidado. Estaremos implorando o socorro do Céu, por intercessão da Santíssima Virgem Maria, tanto mais que estamos na novena em preparação para a sua festa, sob o título de Nossa Senhora do Carmo, que celebraremos no próximo domingo, dia 16 de julho.
Essa devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo é antiquíssima. Foi no Monte Carmelo, em Israel, que o profeta Elias se refugiou. Os discípulos de Elias e Eliseu ali viviam em pequenas ermidas. Na pequena nuvem portadora da chuva após a grande seca, Elias viu simbolicamente Maria, a futura mãe do Messias esperado. Assim, Maria foi venerada profeticamente por esses eremitas e, depois da vinda de Cristo, por seus sucessores cristãos, como Nossa Senhora do Monte Carmelo. 
Maria, por meio da qual o Pai nos deu o seu Filho, que dela nasceu, Deus feito homem (cf. Gl 4, 4-5), constitui-se assim a ponte, a mediação que nos leva até Jesus e ao Pai eterno.
Maria, de modo algum atrapalha a mediação de Jesus junto ao Pai nem a nossa ida a Jesus, único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2,5-6), como bem nos ensina a Igreja: “a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece” (Lumen Gentium, 60). 
“Efetivamente, nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo encarnado e Redentor; mas, assim como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde realmente pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa única fonte. Esta função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la; experimenta-a continuamente e recomenda-a ao amor dos fiéis, para que, apoiados nesta proteção maternal, eles se unam mais intimamente ao Mediador e Salvador” (Lumen Gentium, 62). 

Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, julho 11, 2017

XIV DOMINGO DO TEMPO COMUM



A gente simples e ignorante , aqueles que não têm acesso a grandes conhecimentos , os que não contam na religião do templo, estão se abrindo a Deus com o coração limpo. Estão dispostos a deixar-se instruir por Jesus . O Pai está revelando a eles seu amor através dele. Eles entendem Jesus como ninguém. 

Mas os “sábios e entendidos” não entendem nada. Eles têm uma própria visão erudita de Deus e da religião. Acham que sabem de tudo. Não aprendem nada novo de Jesus . Sua visão fechada e seu coração endurecido os impedem de abrir-se à revelação do Pai através de seu Filho . 

Jesus termina sua oração , mas continua pensando na “gente simples”. Essas pessoas vivem oprimidas pelos poderosos e não encontram alívio na religião do templo. Sua vida é dura e a doutrina que os “entendidos”lhes oferecem a fazem ainda mais dura e difícil. Jesus lhes faz três apelos: 

“Vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados”. É o primeiro apelo, que é dirigido a todos que sentem a religião como um peso e aos que vivem sobrecarregados de normas e doutrinas que os impedem de captar a alegria da salvação. Se vierem a encontrar-se vitalmente com Jesus, experimentarão um alívio imediato : “Eu vos aliviarei”. 

“Tomai sobre vós o meu jugo...porque é suave e meu peso é leve”. É o segundo apelo. É preciso mudar de jugo. Abandonar o dos “sábios e entendidos”, pois não é suave, e carregar o de Jesus que torna a vida mais leve. Não porque Jesus exige menos. Ele exige mais, porém de outra maneira. Exige o essencial: o amor que liberta e faz viver . 

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. É o terceiro apelo. É preciso aprender a cumprir a lei e viver a religião com seu espírito. Jesus não “complica”a vida. Ele a faz mais simples e humilde. Não oprime, ajuda a viver de maneira mais digna e humana . É um “descanso” encontrar-se com Ele.