quinta-feira, junho 22, 2017

PRIMEIRA CAPELA DEDICADA A SÃO JOSÉ DE ANCHIETA NO RIO



A cidade do Rio de Janeiro, uma das rotas dos portugueses durante o Descobrimento do Brasil, ganhou, no dia 6 de junho, uma nova capela. Dedicada ao jesuíta São José de Anchieta, o templo fica na Vila Canoas, uma comunidade de São Conrado. A capela faz parte do território da Paróquia São Conrado.

O bispo auxiliar Dom Luiz Henrique da Silva Brito foi quem presidiu a celebração eucarística em que foi lido o decreto da Cúria Metropolitana, no dia 9 de junho, dia dedicado ao padroeiro São José de Anchieta. Padre Marcos Belizário Ferreira, pároco local, foi concelebrante.
A missa em honra ao “Apóstolo do Brasil” foi celebrada na Capela Nossa Senhora das Graças, também pertencente à Paróquia São Conrado. “Esse é um momento histórico para a Paróquia São Conrado e para a arquidiocese. Se trata da primeira igreja dedicada a São José de Anchieta no Rio, canonicamente unida à jurisdição de uma paróquia”, explicou padre Marcos.

A partir de agora, a capela entrará em reforma para que possa melhor atender aos fiéis do local. Padre Marcos afirmou que deseja colocar na entrada uma imagem de Nossa Senhora e um sino para ajudar as pessoas a identificarem-na como uma igreja católica, uma vez que já foi uma igreja protestante. A previsão é de que as obras terminem em setembro deste ano. “Nós escolhemos José de Anchieta por tudo o que ele representa para o Brasil e ainda por outra característica: o fato de ele ter sido canonizado em 2014 e ter sido decretado o segundo padroeiro do Brasil em 2015”, afirmou o pároco.

Capela
A presidente da Associação de Moradores da Vila Canoas há oito anos, Maria Iracilda Gomes Silva, disse que o trabalho realizado na capela será de grande utilidade para a comunidade. “Além de ter a igreja, o que nos ajudará com muitos ensinamentos, pois o padre Marcos é ótimo, também teremos o centro social. Se chamará Franco Urani e Giuliana, em homenagem a antigos moradores daqui que contribuíram muito para a comunidade”, contou.
Ela disse que a comunidade se uniu para arrecadar doações para a compra e a reforma do local onde será a capela. A PUC-Rio, administrada por jesuítas, foi uma das instituições que contribuíram para o projeto.
Para ela, a capela será uma ponte para atravessar bem as dificuldades que a comunidade enfrenta, que envolvem, entre outras coisas, a violência.
A obra da futura capela será feita por dois voluntários moradores da comunidade.

São José de Anchieta
José de Anchieta nasceu na Espanha. Foi mandado pela família a Portugal para estudar. Lá, conheceu a Companhia de Jesus. Tonou-se jesuíta aos 17 anos, em 1551.
Foi o principal evangelizador no Brasil quando chegou ao país na década de 1550. Além da Bahia, esteve no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Espírito Santo. Anchieta faleceu em 1597, aos 63 anos.
Ele foi beatificado em 22 de junho de 1980 pelo Papa João Paulo II, e no dia 3 de abril de 2014 declarado santo pelo Papa Francisco. 
Durante a 53ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em abril de 2015, ele foi declarado copadroeiro do Brasil. “Ninguém conhecia muito bem São José de Anchieta aqui em Vila Canoas, mas agora com a divulgação que está sendo feita pelo padre Marcos, as pessoas estão começando a entender e ver o padroeiro com muito carinho e respeito. Padre Marcos já até trouxe uma imagem dele pequena para colocarmos lá onde será a capela”, contou Maria Iracilda.

Fonte:http://arqrio.org/noticias/detalhes/5859/primeira-capela-dedicada-a-sao-jose-de-anchieta-no-rio

SANTOS JUNINOS



No mês de junho, temos as tradicionais festas juninas. Ao menos originalmente, elas existem para comemorar três santos de grande importância, exemplo para nós e cuja memória se celebra neste mês: Santo Antônio, dia 13, São João Batista, dia 24, e São Pedro, dia 29. Infelizmente, como muitas outras festas religiosas, as festas juninas são também um pouco desvirtuadas, ficando-se nos acessórios e se esquecendo do principal. 
Dia 13 foi o dia do grande herói da fé, Santo Antônio de Pádua, também chamado, sobretudo pelos portugueses, Santo Antônio de Lisboa. Ele nasceu em Lisboa, chamava-se Fernando, foi cônego da Ordem da Cruz e entrou, pelo desejo do martírio, na Ordem Franciscana, tomando o nome de Antônio. Foi grande pregador, recebendo as alcunhas de “Doutor Evangélico” e “martelo dos hereges”, terminando a sua vida em Pádua, na Itália. É o santo dos milagres, tal a quantidade de fatos extraordinários e sobrenaturais que acompanhavam a sua pregação. Sua língua está miraculosamente conservada em Pádua, há mais de 700 anos. 
Dia 29 celebraremos São Pedro foi apóstolo de Jesus, por ele escolhido para chefe do colégio apostólico e da sociedade hierárquica visível que ele fundaria, simbolizado isso pela entrega das chaves do Reino dos Céus, ou seja, da sua Igreja. Pescador do mar da Galiléia, foi por Jesus transformado em pescador de homens. Após ter chorado o seu pecado de negação do seu divino Mestre, foi por ele consagrado seu vigário aqui na terra. São Pedro fundou a Igreja de Roma, da qual foi o primeiro bispo. Seu sucessor é o Papa, bispo de Roma, vigário de Cristo.
São João Batista foi o precursor de Jesus, aquele que o apresentou ao povo de Israel. Filho de Zacarias e Santa Isabel, foi santificado ainda no seio materno quando da visita de Nossa Senhora, já grávida do Menino Jesus. Por isso a Igreja festeja no dia 24, o seu nascimento, ao contrário de todos os outros santos, dos quais ela só comemora a morte, ou seja, seu nascimento para o Céu. Desde criança, retirou-se para o deserto para fazer penitência e se preparar para sua futura missão. Ministrava ao povo o batismo de penitência, ao qual Jesus também acorreu, por humildade. São João Batista era o homem da verdade, sem acepção de pessoas. Por isso admoestava o Rei Herodes contra o seu pecado de infidelidade conjugal e incesto, o que atraiu a ira da amante do rei, Herodíades, que instigou o rei a metê-lo no cárcere. No dia do aniversário de Herodes, a filha de Herodíades, Salomé, dançou na frente dos convivas, o que levou o rei, meio embriagado, a prometer-lhe como prêmio qualquer coisa que pedisse. A filha perguntou a mãe, que não perdeu a oportunidade de vingar-se daquele que invectivava seu pecado. Fez a filha pedir ao rei a cabeça de João Batista. João foi decapitado na prisão, merecendo o elogio de Jesus, por ser um homem firme e não uma cana agitada pelo vento: “Entre os nascidos de mulher não apareceu ninguém igual a João Batista”. 
João Batista foi fiel imitador de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, que, como disse o poeta João de Deus, “morreu para mostrar que a gente pela verdade se deve deixar matar”.


*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, junho 20, 2017

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS



Sagrado Coração de Jesus é uma das três solenidades do Tempo Comum, dentro da Liturgia da Igreja Católica, comemorada na segunda sexta-feira, após a solenidade de Corpus Christi. Além disso, essa devoção também é cultivada pela Igreja Católica ao longo de todas as primeiras Sextas-feiras de cada mês. Consiste na veneração do Coração de Jesus, do mais íntimo de Seu Amor.

O aprofundamento desta devoção deve-se a Santa Margarida Maria Alacoque, uma religiosa de uma Congregação conhecida como Ordem da Visitação. A Santa Margarida Maria teve extraordinárias revelações por parte de Jesus Cristo, que a incumbiu pessoalmente de divulgar e propagar no mundo esta piedosa devoção. Foram três as aparições de Jesus: A primeira, deu-se a 27 de Dezembro de 1673, a segunda em 1674 e, a terceira, em 1675.

Jesus deixou doze grandes promessas às pessoas que, aproveitando-se da Sua divina misericórdia, participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras. Disse Ele, numa dessas ocasiões a Santa Margarida: "Prometo-te, pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos, e Meu Divino Coração lhes será seguro refúgio nessa última hora".

Não se sabe quem compôs a lista com as 12 promessas do Sagrado Coração de Jesus, tiradas das revelações de Nosso Senhor a Santa margarida Maria Alacoque. Sabe-se só que é fidedigna –as promessas estão de fato contidas nas revelações – e que o trabalho anônimo foi de grande mérito e utilidade.

M. Kemper, um modesto comerciante de Dayton, cidadezinha norte-americana, iniciou, em 1882, um trabalho de ampla divulgação delas.

A partir desta primeiro impulso, tiveram propagação mundial. Normalmente são conhecidas como as 12 Promessas do Coração de Jesus, a mais importante das quais, é a 12ª, chamada a GRANDE PROMESSA.

12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus

Dar-lhes-ei todas as graças necessárias ao seu estado de vida.

Estabelecerei a paz nas suas famílias.

Abençoarei os lares onde for exposta e honrada a imagem do Meu Sagrado Coração.

Ei-de consolá-los em todas as dificuldades.

Ser ei o seu refúgio durante a vida e em especial na hora da morte.

Derramarei bênçãos abundantes sobre todos os seus empreendimentos.

Os pecadores encontrarão no Meu Sagrado Coração uma fonte e um oceano sem fim de Misericórdia.

As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.

As almas fervorosas ascenderão rapidamente a um estado de grande perfeição.

Darei aos sacerdotes o poder de tocarem os corações mais empedernidos.

Aqueles que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos no Meu Sagrado Coração e d’Ele nunca serão apagados.

Prometo-vos, no excesso de Misericórdia do Meu Coração, que o Meu Amor Todo-Poderoso concederá, a todos aqueles que comungarem na Primeira Sexta-Feira de nove meses seguidos, a graça da penitência final; não morrerão no Meu desagrado nem sem receberem os Sacramentos: o Meu Divino Coração será o seu refúgio de salvação nesse derradeiro momento.


segunda-feira, junho 19, 2017

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM




O Reino de Deus não é só uma salvação que começa depois da morte. É uma irrupção de graça e de vida já em nossa vida atual. Mais ainda. O sinal mais claro de que o reino está próximo é precisamente essa corrente de vida que começa a abrir-se passagem na terra. “Ide e proclamai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios.” Hoje, mais do que nunca, nós crentes deveríamos escutar o convite de Jesus de pôr nova vida na sociedade. 

Um inquietante abismo está se abrindo entre o progresso técnico e o nosso desenvolvimento espiritual. Dir-se-ia que o ser humano não tem força espiritual para animar e dar sentido a seu incessante progresso. Os resultados são palpáveis. Muitos se veem empobrecidos por seu dinheiro e pelas coisas que pensam possuir. O cansaço da vida e o aborrecimento se apoderam de outros tantos. A “contaminação interior” está sujando o melhor de não poucas pessoas. Há homens e mulheres que vivem perdidos, imersos numa nervosa e intensa atividade, esvaziando-se por dentro, sem saber exatamente o que querem. 

Será que não estamos de novo diante de homens e mulheres “enfermos” que precisam ser curados, “mortos” que precisam ser ressuscitados, “possessos” que esperam ser libertados de tantos demônios que os impedem de viver como seres humanos? Há pessoas que, no fundo, querem voltar a viver. Querem curar-se e ressuscitar. Querem tornar a rir e desfrutar da vida, enfrentar cada dia com alegria. 

E só há um caminho: aprender a amar. E aprender de novo coisas que o amor exige que não estão muito na moda: simplicidade, acolhimento, amizade, solidariedade , atenção gratuita ao outro, fidelidade...Entre nós continua faltando amor . Alguém te que despertá-lo. O que vai salva os seres humanos de hoje não será o conforto, nem a eletrônica, mas o amor. Se existe em nós capacidade de amar, temos que compartilhá-la. O que nos foi dado de graça, devemos de graça compartilhar de muitas maneiras com os que encontramos no nosso caminho. 

“Curar os enfermos” quer dizer libertar as pessoas de tudo que lhes rouba a vida e as faz sofrer. Sarar a alma e o corpo dos que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa da vida diária. 

“Ressuscitar os mortos” quer dizer libertar as pessoas daquilo que bloqueia sua vida e mata sua esperança. Despertar novamente o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres nos quais a vida vai morrendo.

“Limpar os leprosos”, quer dizer limpar esta sociedade de tanta mentira, hipocrisia e convencionalismos. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade honradez. 

“Expulsar os demônios”, isto é, libertar as pessoas de tantos ídolos que as escravizam e pervertem nossa convivência. Onde se está libertando as pessoas, ale se está anunciando Deus.


























sábado, junho 17, 2017

ANO LITÚRGICO - EVANGELHO DE SÃO MATEUS (ANO A 2017)




Estamos iniciando o Ano Catequético e precisamos estar atentos às leituras do Evangelho Dominical. Este é o Ano Litúrgico A, com leituras do Evangelho de São Mateus. Vamos conhecer um pouco mais deste Evangelho e do Ano Litúrgico?


O que são as letras A, B e C do Ano litúrgico?

As leituras Bíblicas que ocorrem nas celebrações são determinadas de acordo com o Ano Litúrgico, criado para acompanharmos através das leituras dos textos bíblicos (evangelho e outros livros) a vida de Jesus em ordem cronológica do nascimento até a ascensão aos céus. Assim ouvimos nas celebrações textos que falam do anúncio do Messias, da encarnação, de seu ministério público, com seus milagres e curas, do chamado ao discipulado, discursos, parábolas até culminarmos com morte e ressurreição nos preparando para a Parusia, ou seja, do Cristo Rei do Universo no final do ano litúrgico. A ideia desta distribuição de textos bíblicos ao longo de três anos tem como objetivo se ter uma visão e leitura de toda a Bíblia.

O rito romano, utilizado nas celebrações da Igreja católica possui um conjunto de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos perpassando os domingos e as solenidades. A cada ano, a liturgia das celebrações segue uma sequencia de leituras próprias, divididas em anos A, B e C.


- No ano “A” a leitura principal do evangelho na celebração segue o Evangelho de São Mateus;


- No ano “B”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Marcos;


- No ano “C”, a leitura principal do evangelho segue o Evangelho de São Lucas.


Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades, para este evangelho não existe um ano litúrgico.

O ano litúrgico inicia-se no primeiro domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e se encerra com a solenidade de Cristo Rei do Universo do ano seguinte. 



ESTUDO DO EVANGELHO DE SÃO MATEUS


PLANO GERAL DO EVANGELHO DE MATEUS


1. Evangelho da Infância de Jesus è1,1-2,23; Mateus narra infância de Jesus para proclamar que Ele é o Herdeiro das promessas feitas a Abraão e a David (Genealogia), é o descendente de David anunciado pelos Profetas (1ª passagem), reúne os traços de Salomão, o sábio (2ª passagem) e de Moisés, o salvador do povo (3ª passagem). Os pagãos vêm a Ele com presentes, como o tinham anunciado os profetas (2ª passagem).

2. Anúncio do Reino do Céu è 3,1-25,46; São Mateus mostra-nos o princípio do Reino dos Céus: Jesus é anunciado e proclamado como Filho de Deus, nas tentações cumpre a vontade do Pai como verdadeiro Filho e no sermão ensina-nos a cumprir essa mesma vontade de Deus, para podermos receber o Reino dos Céus (5, 20) e ser também filhos de Deus (5, 45). Os capítulos 8 e 9 do Evangelho mostra o poder do Reino dos Céus; Cristo é Aquele que tem esse poder e demonstra-o fazendo milagres e perdoando os pecados, no mesmo tempo que expulsa os demônios; mas logo a seguir, transmite este poder aos Doze, de modo que esse poder se perpetue na Igreja.

3. Paixão e Ressurreição de Jesus è 26,1-28,20. Mateus apresenta Jesus como o Filho de David, o herdeiro do Reino (2 Samuel 7, 12-14), e também como o Emanuel (“Deus conosco”), da profecia de Isaías (7, 14). No entanto, o título que mais lhe interessa é o de Filho de Deus. A imagem de Cristo apresentada por Mateus é a do enviado de Deus, na qual se vão cumprir todas as expectativas do Antigo Testamento. Cristo é a realização de tudo o que fala o Antigo Testamento; dito de outra maneira, Mateus contempla todos os personagens do Antigo Testamento como figuras de Cristo, enquanto que Cristo é a realidade, na qual tudo se cumpre. É como se tudo o que dizia a Sagrada Escritura até então, fosse algo vazio que agora se enche, ou como um desenho que agora tem de se terminar de pintar.

Mateus fala frequentemente do “Reino de Deus”, ou do “Reino dos Céus”, dando preferência a esta última expressão, sem fazer aparentemente distinção entre as duas formas. Os outros evangelistas, ao contrário, usam mais a primeira. É notável a frequência com que Mateus se refere ao Reino: enquanto Mateus refere-o 50 vezes, Marcos refere-o somente 14 e Lucas 39.

Deve-se recordar que a “Boa Nova” consiste em Deus que vem reinar sobre o seu povo. O Reino dos Céus não é algo que está exclusivamente do outro lado (no Céu), mas sim, que vem a este mundo: Deus vem exercer a sua função de Rei, transformando tudo, tanto o mundo, como os homens. O Reino dos Céus vem a este mundo, começa a ganhar forma na terra, e terá a sua consumação nos Céus. São Mateus preocupa-se em mostrar que a boa nova da chegada do Reino dos Céus dá-se na pessoa de Jesus Cristo. O Reino dos Céus anunciado e preparado no Antigo Testamento já está presente em nós, porque Jesus é o cumprimento de todas as profecias. Jesus forma uma comunidade, na qual se começam a manifestar os sinais da presença do Reino. São Mateus é o único evangelista que dá o nome de “Igreja” a esta comunidade (Mateus 16, 18).


DETALHES DO EVANGELHO DE MATEUS

Autor: Mateus significa “dom de Deus” (Matatias, no hebraico) é um dos Doze Apóstolos. Foi chamado enquanto estava sentado na sua banca, pois era cobrador de impostos (9,9). Depois do chamado ofereceu um almoço para Jesus e seu grupo (9,10-13). É o mesmo Levi de Lc 5,27 e era filho de Alfeu (Mc 2,14).


Local e data: Na Bíblia, é o primeiro Livro do NT (é o mais longo dos quatro Evangelhos). A maioria dos autores hoje concorda que foi escrito no norte da Galiléia; outros afirmam que foi na Síria (Antioquia). Foi escrito primeiro em hebraico ou aramaico. Não temos mais o original. A data deve ter sido por volta dos anos 80-90 dC. Seguramente depois que os romanos destruíram o Templo no ano 70, e quando os cristãos já não podiam mais frequentar as sinagogas dos judeus.

Objetivo: O objetivo principal deste Evangelho é que Mateus quer responder a duas perguntas, que com certeza os cristãos se colocavam depois da vida, morte e ressurreição de Jesus:
- Quem é Jesus? (conhecer). Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, o Filho de Deus!;
- Como seguir Jesus Cristo? (fazer o que Ele mandou). Mateus mesmo dá o exemplo. Jesus o chama: Segue-me! E ele, levantando-se, o seguiu! (cf. 9,9).

Destinatários: Mateus escreve para os judeus que se converteram ao cristianismo, por isso utiliza muito o AT e usa muitos termos hebraicos. Mas a mensagem de Jesus é universal e por isso o Evangelho termina afirmando: “fazei que todas as nações se tomem discípulos meus... (28,19).


CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO EVANGELHO DE MATEUS


1. A certeza que Jesus é Deus presente no meio de nós: no início, meio e final:


- 1,23: “Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco”;
- 18,20: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio de deles”;
- 28,20: “Eis que estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.


2. É o Evangelho do Pai:


Enquanto que em Marcos Jesus aparece mais e é mais cristológico; em Lucas é o Espírito Santo que tem uma função especial; em Mateus é a primeira pessoa da Santíssima Trindade que tem destaque. Numerosas são as vezes em que Jesus fala de Deus como doPai nosso (21 vezes contra 5 de Lucas); o seu Pai (18 vezes, contra 6 de Lc e 3 de Mc). Passagens interessantes são: 10,29 (cf. Lc 12,6); 10,20 (cf. Lc 12,12); 20,23 (cf. Mc 10,40). Algumas parábolas, que se encontram exclusivamente em Mateus, são verdadeiras parábolas do “Pai”: a parábola do servo infiel (18,23-35, cf. v. 35), a parábola dos trabalhadores na vinha (20,1-12), a parábola das bodas reais (22,1-14; cf. Lc 14,16-24), a parábola dos dois filhos (21,28-31), a parábola do joio e do trigo (13,24-30; cf v.27).


3. É o Evangelho da Justiça:


(3,15; 5,6; 10,20; 6,1.33; 21,32, etc.)
- Jesus nasce no ambiente de um homem justo (1,19);
- As primeiras palavras de Jesus neste Evangelho são: “deixe como está, pois convém que cumpramos toda a justiça” (3,15);
- A busca fundamental nossa deve ser “o reino dos céus e sua justiça” (6,33);
- O julgamento de Deus será pela justiça e misericórdia que praticamos (25,31-46).
- O tema da “recompensa” aparece muitas vezes.


4. O projeto que Jesus anuncia é uma Boa Notícia, chamado de Reino dos Céus:


- O tema do Reino “dos céus” (ou “de Deus” – 5 vezes) aparece 54 vezes no Evangelho;
- Mateus prefere usar “reino dos céus”, para evitar a expressão “reino de Deus”, pois os judeus, por respeito, evitavam pronunciar o nome de Deus (YHWH – Javé).


5. A valorização da história e do Antigo Testamento:


- Jesus nasce da descendência do povo hebreu. São 14 vezes três gerações (1,17). 14 é a soma das consoantes hebraicas do nome David dwd (4 + 6 + 4 = 14). Jesus é três vezes Davi;
- Várias vezes encontramos “para se cumprir as Escrituras”, ou “o que foi dito pelos Profetas”; ou “também está escrito”; ou “ouviste o que foi dito aos antigos”, etc.


6. As mulheres:


- Na genealogia de Jesus aparecem 5 mulheres. Isso era incomum no ambiente judaico. Todas têm problemas: Tamar que perdeu o marido e se fez passar por prostituta (Gn 38);Raab é prostituta (Js 2,1-21); Rute é moabita, isto é, uma estrangeira (Rt 1,4); Betsabéiaera mulher de Urias, que Davi mandou matar para ficar com ela (2Sm 11 e 12); e Maria, que ainda não era casada com José;
- É uma mulher que unge Jesus e prepara seu corpo para a sepultura (26,6-13);
- As mulheres são o grupo que é fiel até o fim (27,55-56.61) e são as primeiras as receberem a boa notícia da ressurreição de Jesus e serão as primeiras anunciadoras de que Jesus está vivo (28,1-10);
- Porém, a infância de Jesus é contada na ótica de José e não de Maria, como em Lucas.

7. Aparecem fortes conflitos com os judeus, principalmente com os fariseus:


O Evangelho foi escrito depois da destruição de Jerusalém e do templo (70 dC). Era um momento de ruptura entre judeus e cristãos. Era o tempo da reestruturação do judaísmo formativo. Os cristãos nesta época eram expulsos das sinagogas, por isso Mateus fala das “suas/vossas sinagogas” ou “sinagogas deles” (4,23; 9,35; 10,17; 12,9; 13,54; 23,34).


8. Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12):


- São 7 ou 9, depende de como são contadas;
- A recompensa na primeira (aos pobres) e na sétima (aos perseguidos pela justiça) a promessa é no presente “deles é o reino dos céus”. As demais são no futuro: herdarão a terra; serão saciados…;
- Diferente de Lucas, os “Ai de vós” não vêm em seguida aos “felizes / bem-aventurados vós”.
Eles aparecem no capítulo 23;
- Deus quer o povo feliz! E essa felicidade começa logo para quem entra no Reino;
- Pessoas pobres, doentes, endemoninhadas, famintas, cegas, desempregadas, crianças, mulheres, multidões… Este é o povo que Jesus encontra e são as privilegiadas no anúncio do Reino.


9. Os números em Mateus:


Mateus usa muito os números, sobretudo 3, 5, 7 e 10. Ex.: narra 3 tentações de Jesus; 3 “quando…” (6,2.5.16); 3 súplicas no monte das Oliveiras; temos 3 negações de Pedro; 3 séries de 14 (7 x 2) gerações na genealogia de Jesus. Encontramos 7 discursos de Jesus, 7 parábolas sobre o Reino;
- O Evangelho está organizado em 5 livrinhos (igual ao Pentateuco, no AT);
- Devemos perdoar não 7 vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente;
- Encontramos em Mateus 10 milagres (igual às 10 pragas ou aos 10 Mandamentos no AT).


10. Jesus é o novo Moisés:


- A matança dos meninos (2,13-18) recorda um fato semelhante com Moisés (Ex 1,15-22);
- Jesus é maior que Moisés, pois Ele cumpre toda a Lei (5,17) e lhe dá uma nova interpretação (5,21-48; 19,3-9.16-21);
- Várias vezes, Jesus sobe à montanha. Esta era o lugar privilegiado para o encontro com Deus. Jesus sobe à Montanha (5,1), assim como Moisés foi ao Sinai. O sermão na Montanha (5-7) e o envio dos Apóstolos pelo mundo (28,16-20) lembram as tábuas da Lei dadas a Moisés no Monte Sinai.


11. O verbo “ver”:


- Jesus “viu” os primeiros Apóstolos (4,18.21); “viu” Mateus (9,9); “viu” as multidões (5,1; 8,18; 9,36); “viu” a sogra de Pedro de cama (8,14); “viu” a mulher doente (8,22); etC.


12. É o Evangelho da Igreja:


- Duas vezes aparece a palavra ekklesía: Igreja / Assembléia (16,18; 18,17);
- Mateus procura corrigir certos problemas da comunidade: o perdão aos que erram, o bom comportamento (parábola do semeador, todo o capítulo 18, a questão da autoridade, o perdão etc.);
- Ele quer demonstrar que os cristãos são o novo Povo de Deus e a Igreja é o verdadeiro Israel;
- O batismo substitui a circuncisão. É o novo sinal de pertença ao povo de Deus;
- Foi o Evangelho mais usado na Igreja primitiva. Seu estilo é de Catequese.

Frei Ildo Perondi – ildo@sercomtel.com.br







sexta-feira, junho 16, 2017

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI



O deserto na experiência humana 

A Palavra da Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor, na 1ª leitura, inicia-se com o imperativo do verbo “lembrar”: “lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu”. Lembrar não no sentido de ter uma lembrança, como quando olhamos para uma fotografia, mas no sentido de “recordar”, isto é, de trazer para dentro do coração. Recordar, num sentido ainda mais profundo, de fazer memória que, na linguagem Bíblica, significa tornar presente. É o que o padre diz em toda Consagração Eucarística: “fazei isto em memória de mim!” A 1ª leitura, portanto, pede que trazemos para o nosso hoje um sentido importante da Eucaristia: aquele da condução de Deus. Assim como Deus conduziu o povo pelo deserto, hoje, ele continua nos conduzindo em tantos desertos, em tantas dificuldades que enfrentamos na vida.


Deus alimenta no deserto 


O deserto é uma experiência existencial. No deserto não existe estradas e indicações por onde caminhar. Por isso, quem caminha na fé entra no deserto e se deixa conduzir por Deus. A Eucaristia é um momento condutor da vida humana. Em todas as celebrações, através do Pão da Palavra, a Eucaristia propõe caminhos, indica metas existenciais, orienta como se comportar diante de acontecimentos da vida, sejam tristes ou alegres. É o que diz a 1ª leitura: a necessidade de sermos conduzidos ao deserto para aprender“que não somente de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca do Senhor”. O deserto de ontem, e os tantos desertos de nossos dias, mostra que não
podemos orientar nossas vidas sozinhos, pois precisamos de um guia que nos conduza, que conduza nossas vidas por caminhos seguros não promotores de escravidões. A Eucaristia, portanto, como local onde se ouve a voz divina indicando o caminho seguro para se viver na liberdade, para se viver plenamente livre.


O sentido da vida em Jesus 


A característica principal de viver na terra prometida, que continua sendo prometida a cada um de nós, consiste na vida livre. Esta liberdade só é possível em quem se alimentar com a vida divina, que se encontra em Jesus, o “pão vivo descido do céu”. A verdadeira nutrição da vida humana não consiste em alimentar a vida com alimentos que duram por um tempo, como por exemplo, a fama: alimenta a vida por um tempo e depois desaparece. Como por exemplo, o poder, que dura por um tempo e depois desaparece. Só mesmo quem alimenta a sua vida com a vida divina viverá eternamente. Este alimentar-se com a vida divina encontra-se na Eucaristia, nas duas Mesas que nos alimentam com o Pão da Palavra e com o Corpo e Sangue de Jesus. A Eucaristia não é uma simples devoção, é um local no qual encontramos o sentido da vida, no qual Deus mesmo nos conduz, como refletimos na 1ª leitura; onde Deus mesmo nos alimenta, como diz o Evangelho. Na Eucaristia está o sentido da vida e do nosso viver. Amém!

















Benção do Bairro de São Conrado










"Carinhos de Deus"
Durante a benção com o Santíssimo Sacramento sobre o bairro de São Conrado ocorreu um efeito na máquina fotográfica que nos trouxe alento e alegria. Pode não ser milagre mas sempre interpretaremos efeitos não propositais como um carinho de Deus, mesmo porque tendo o padre o Corpo de Cristo no ostensório e estando abençoando o bairro surgem paulatinamente raios de luzes que vão aumentando de acordo com o registro da foto. Pedimos a Deus que sobre nós paroquianos de São Conrado, sobre nós moradores de São Conrado, sobre nós que trabalhamos em São Conrado e sobre todos aqueles que passam pelo bairro de São Conrado que a benção de Deus Todo Poderoso permaneça para sempre. Amém.

Padre Marcos Belizário Ferreira
Pároco






Adoração ao Santíssimo Sacramento